sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O Boiadeiro Zé do Laço



Já contei no livro "A História de Pai Arruda" sobre como fui parar na Umbanda vinda de diversas experiências em outras filosofias e religiões, mas para resumir, meu conhecimento, e também interesse para ser sincera, na Umbanda era mínimo, eu estava feliz seguindo um caminho solitário no Druidismo.
Então um dia eu incorporei o boiadeiro Zé do Laço.
Foi a primeira vez que incorporei. Eu mal sabia o que era um "boiadeiro". Eu não tinha ideia do porque ou como aquilo estava acontecendo.
Mas eu soube de imediato uma coisa: aquele ser que tinha se aproximado, com intensidade porém cuidado, emanava energias calorosas, alegres e muito amorosas.
Num primeiro momento ele se identificou mostrando seu local de trabalho, o cerrado, falou que era filho de Sant'Anna, e mostrou uma vida severa como de tantos trabalhadores rurais, mas eu percebi que ele tinha uma sabedoria incomum para um espírito que tivesse sempre tido 'vidas simples'. Era patente que ele trazia um conhecimento de um espírito que já havia estudado assuntos intrincados da alma, sobre Teologia e os Mistérios da Vida.
Um dia ele me disse que havia estudado filosofia, e um dia me contaria.
Esse dia chegou no último livro da série "Paralelas da Umbanda", depois do livro I, sobre os Baianos - que foi uma experiência muito curiosa, especialmente para mim, que não tenho tanta afinidade com a linha - e do livro II sobre os Marinheiros, sobre o qual falarei outro dia e que é uma história muito, mas muito inusitada mesmo!
Quando soube que escreveria a história dele, eu fiquei muito entusiasmada e feliz, porque, a verdade é que embora a maioria dos médiuns ame todas as entidades com as quais trabalha, assim também amo todas as que trabalham comigo, mas o Zé... Bem, o Zé tem mesmo um lugar especial no meu coração. Ele me tira do meu lugar-comum. Mas não apenas eu sou fã dele.
Todos que o conhecem se encantam com sua simpatia, bom humor e alegria, então, foi realmente uma surpresa descobrir que a história dele, a mais relevante, que foi quando ele deu um "salto quântico", por assim dizer, foi uma vida muito difícil, que eu jamais imaginaria que ele tivesse passado.
Ao fim dos três livros, definitivamente Boiadeiros foi o mais difícil de escrever, pelo teor da história, emocionalmente falando, e principalmente pelo teor filosófico das conversas entre o personagem e um mestre filósofo, que exigiram incrível concentração, e desafiaram meu próprio entendimento da lógica compartilhada por tutor e discípulo naquele desfecho marcante da história.
Se você gostaria de ler uma história diferente sobre Baianos, Marinheiros e Boiadeiros, posso recomendar sem medo todas as histórias da série "Paralelas da Umbanda".
Agora se você espera ler histórias tradicionais, 'mais do mesmo', sinceramente, não compre! Você com certeza irá se arrepender!
Essa série é para quem compreende que as entidades que trabalham conosco em qualquer caminho da espiritualidade não são lineares nem sujeitas à nossa interpretação bidimensional delas: elas têm sua própria história, multidimensional, da qual só nos é dado conhecer uma pequena parcela.
"Toda renda obtida com os direitos autorais será revertida para entidades de proteção aos animais."

DIÁLOGO ENTRE O BOIADEIRO ZÉ DO LAÇO E UM MESTRE ÓRFICO



DIÁLOGO ENTRE O BOIADEIRO ZÉ DO LAÇO E UM MESTRE ÓRFICO
" 1 - Enfrentar a dor de frente, sim, é preciso.
2 - Aceitar ajuda para se recompor, o mais rápido possível e contar com a compreensão dos outros e de si mesmo para se entender na fragilidade, o caminho da aceitação.
3 - Seguir adiante buscando novos sentidos para empenhar o coração: o caminho da superação.
- Vejo que a vida lhe ensinou bem, Albano, e o mais importante, o seu olhar não se desviou dessas lições em atenção – sorriu-me o mestre. Ainda assim a imensa maioria dos seres humanos espera que suas ‘boas ações’ estejam bem anotadas e contabilizadas no Livro da Vida, e quando algo acontece, que lhes pareça injusto, sentem-se lesadas, como se Deus mesmo lhes roubasse a Fé que n’Ele um dia tiveram. “Eu não merecia” ou “essa ou aquela pessoa...”, “meu filho..., minha esposa... não mereciam aquilo que lhes sucedeu”. Bem, podemos não saber ao certo qual a natureza de Deus, mas uma coisa podemos afirmar com bastante afinco: Ele ou Ela não é um cobrador de impostos. Nossos feitos, bons ou ruins, podem muito bem estar anotados no Livro da Vida, ou na Malha Cósmica do Éter Universal, que é o termo que usamos no nível mais avançado dos nossos estudos, mas o conceito de uma divindade que age como um comerciante que de nós recebe ou nos paga em moedas de ‘bem feitos’ ou ‘mal feitos’, como se as benesses da vida fossem mercadorias, essa ideia de um Deus ‘negociante’ que subitamente nos lesa, ignorando nossos ‘investimentos na Sua empresa’ é decididamente um atraso interpretativo que nos conduz à revolta e ao afastamento, como consequência, da compreensão das Leis que Regem os Universos.
- Então Deus não intervém? Não toma partido?
- Essa é outra questão que discutiremos outro dia e que discorre sobre os interesses e formas de atuação divinas, quando estudamos casos em que indiscutivelmente se observa a intervenção daquilo que consideramos a Fonte Original Criadora agindo de forma sobrenatural sobre o mundo e suas criaturas. Mas aquilo que você questiona é a dor e o sofrimento que não é causado por essa Fonte Desconhecida e Misteriosa, muito pelo contrário, suas causas são muito conhecidas e têm origem nos interesses, desejos, vícios, medos e toda sorte de aspectos dissonantes da personalidade humana. Não é lógico imputar a Deus culpas pelos feitos de outrem, ainda que seja lícito questionar sua participação nos feitos de suas criaturas. Questionamos nesta escola se através de vidas sucessivas, os erros e injustiças praticados contra uns sejam reparados em outra encenação com diferentes personagens mas mesmos atores; questionamos se aquilo que chamamos de ‘desgraça’ possa se transformar, com o passar do tempo e a sublimação das dores, em ‘graça’ em algum momento, pela participação conjunta do Destino intermediando o jogo de livres-arbítrios humanos. Questionamos todas as variáveis do usufruto que Deus tem através das particularidades de suas criaturas. Não sei se você é capaz de me acompanhar..."

Cuidado com suas Certezas

Quando estava no kardecismo ouvia coisas como:

"Espírito de luz não precisa de elementos materiais para trabalhar"

"Espíritos de Índios e Caboclos são responsáveis pela limpeza e defesa dos trabalhos no centro espírita"

E outras pérolas que todo umbandista que já teve o desprazer de ouvir de pessoas que desconhecem totalmente a Umbanda como ela verdadeiramente é, assim como suas entidades.
Mas e quando as "certezas" vêm dos próprios umbandistas?
Quantos irmãos de fé se arvoram de donos da razão ao criticar os hábitos e crenças daqueles que frequentam um terreiro de costumes e tradições um pouco diferentes daquelas em que aprendeu a praticar a Umbanda?
Todos temos direto à opinião própria, e sim, infelizmente vemos abusos em todos os lugares, não só na Umbanda. Rituais e pseudo-saberes estão sendo passados adiante, até mesmo entre líderes supostamente cultos e intelectuais, de movimentos espiritualistas, esotéricos e universalistas, o que justifica que mantenhamos todos os sentidos ligados e o bom senso à toda.
Faço porém, uma ressalva: lembre-se de que os verdadeiros fundamentos da Umbanda ou de qualquer Verdade Espiritual não estão na Terra, aqui temos apenas reflexos.
Não importa o título, os diplomas, nem mesmo os anos, décadas de casa aberta e prática umbandista ou de outra denominação: você, meu irmão, minha irmã, será sempre um funcionário da espiritualidade, nunca um proprietário.
Cuidado ao decretar aquilo que pode ou não existir dentro da Umbanda ou dentro da Espiritualidade: você não esteve em todos os portos do mundo, em todos os terreiros do mundo, em todos os vales e florestas, não viveu todas as experiências disponíveis deste mundo.
É muito fácil dizer, com relativa margem de certeza: "Não existe marinheira nem boiadeira na Umbanda!", porque você nunca viu ou porque alguém em quem você confia dentro do culto assim lhe ensinou.
Porém de fato, existiram até mulheres piratas! Poucas, é verdade, mas existiram e uma busca na Wikipedia conta suas histórias para quem se interessar. Veja as mais famosas aqui:http://www.megacurioso.com.br/historia-e-geografia/46764-conheca-as-historias-de-5-piratas-mulheres.htm

Existia uma lenda de que mulher à bordo trazia azar para as embarcações, mas há relatos de mulheres tripulando navios de bandeira russa durante a Segunda Guerra Mundial e mais: mulheres imediatas em 1851!
Quantos marinheiros ensinaram suas filhas a levar a vida, por falta de opção, numa embarcação? Poucas? Não se sabe o número exato dessas mulheres que viveram sua vida no mar, mas que elas existiram, é certo, pois na vida vemos que de tudo existe.
O mesmo vale para as mulheres que tiveram de aprender a lidar com gado, conduzir cavalos e viver uma vida agreste. Hoje se você for ao pantanal, verá mulheres boiadeiras e muitas! Por que acreditar que no passado elas não existiram? Por que não há registro?
Meus irmãos: não há registros sobre praticamente nada que as mulheres tenham feito no passado, a não ser que tenham sido filhas, mães, esposas ou amantes de um homem importante, cuja história tenha sido registrada devidamente - por um homem.
A necessidade faz com que o ser humano faça aquilo que necessita para sobreviver; sendo a mulher um ser humano, e tendo executado as funções de mãe prioritariamente na maioria de suas experiências encarnatórias, provavelmente essa mulher, não tendo um homem que a protegesse e sustentasse, executaria qualquer função necessária para pôr comida à mesa.
São exceções? Bom, mas fato é que basta uma para que as certezas estejam desatualizadas, não é mesmo?
Durante as psicografias da série Paralelas da Umbanda, eu recebi comunicações de uma mulher que trabalhava junto à falange do Zé do Laço, assim como de uma moça que passou sua vida dentro de um navio em séculos passados, junto a seu pai, sendo respeitada por todos os marinheiros pois fora criada entre eles.
Portanto, se há algo que eu aprendi, é que TUDO PODE, SIM.
O que precisa é se verificar se "é o caso".
Mas tudo pode acontecer. Independente da minha opinião, da sua, do que fulano ou beltrano ACHAM que é válido ou não.
A Espiritualidade sempre irá nos surpreender.
E ainda bem que é assim.
Nas próximas postagens compartilho um pouco mais das minhas experiências com as Linhas Secundárias. 

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Jennifer Dhursaille

A Série de Livros "Paralelas da Umbanda" é composta dos livros:
1-Baianos
2- Marinheiros
3- Boiadeiros
Disponível para compra no formato digital no site da Amazon, sendo a renda dos direitos autorais totalmente convertida para Entidades de Proteção aos Animais.

https://www.amazon.com.br/s?_encoding=UTF8&field-keywords=Paralelas%20da%20Umbanda%20Livro%20II%20Marinheiros%3A%20Hist%C3%B3rias%20de%20Baianos%2C%20Marinheiros%20e%20Boiadeiros%20(Portuguese%20Edition)&node=5308307011

A Série de Livros Paralelas da Umbanda



As Linhas  Secundárias da Umbanda


                Esta série de livros, psicografados entre 20/07/2011 e 04/01/2015 apresentam uma história principal mais longa sobre cada Corrente de Trabalho Secundária e, no caso do livro I – Baianos, e no livro III – Boiadeiros, algumas psicografias mais curtas, de autorias diversas.

                São chamadas Linhas ou Correntes de Trabalho Secundárias da Umbanda aquelas que não são as 3 primárias (Caboclos, Pretos-Velhos e Crianças) nem Esquerda (Exus e Pombogiras), e são considerados por alguns intermediárias entre esses dois polos.

                Nessa categoria se encontram os Baianos, Marinheiros, Boiadeiros e Ciganos (que serão tratados em outro livro), porém na medida em que a Umbanda amadurece e se expande novas ramificações surgem e outras frentes de trabalho espiritual podem emergir. Um agrupamento de espíritos se une para trabalho conjunto norteados pelos mesmos ideais, objetivos e métodos de trabalho.

                Os Baianos se caracterizam por demonstrarem quando em terra trejeitos e vocabulários típicos do povo da região nordeste do Brasil; muitos alegam ter sido quando em vida sacerdotes ou praticantes de cultos de origem africana ou da pajelança, como Catimbó, Jurema e Xangô.

                Os Boiadeiros, como o próprio nome já indica, apresentam o arquétipo do ‘cowboy’, do homem trabalhador do campo, habituado a lida com os animais e o pastoreio, e são muito famosos pelo uso do ‘laço’ com o qual trabalham no astral, livrando aqueles que procuram sua ajuda de demandas e obsessões, assim como conduzem seus ‘filhos’ não lhes deixando fugirem dos caminhos que lhes são devidos.

                Os Marinheiros são uma falange que trabalha junto ao Povo d’Água, na vibração de Iemanjá, e auxiliam muito na limpeza do terreiro e da assistência, além de cuidarem de assuntos que lhes são próprios como especialistas na vida marinha, caiçara e nos mistérios que competem à junção de terra e mar. Muitos os têm por bêbados por pedirem álcool para trabalhar quando chegam em terra, mas assim como nas demais correntes de trabalho que também fazem uso do álcool e do fumo, este é um item de limpeza, necessário para o trabalho e um estabilizador, nivelador vibratório que somente deve ser reprimido quando o médium manifestar ingerência de seus próprios vícios, contabilizando a entidade pelos seu descontrole.

                Em todas as linhas secundárias, as entidades caracterizam-se por dar consultas em que sua alegria, dinamismo e solidariedade para com as questões mundanas levadas a eles por seus assistidos são contagiantes. Sempre têm um conselho de ordem prática que oferecem com bom humor e quando necessário fazem trabalhos utilizando os elementos próprios de seus domínios vibratórios.

                Nos livros II e III acredito que os leitores se espantarão pelas narrativas não-convencionais.

                O marinheiro que contou sua história era um velho capitão irlandês, e sua história não trata de assuntos que tipicamente se imagina relacionados à Umbanda, como viagens multidimensionais e ufologia.

                Da mesma forma, muitas vezes ouvi dizer que a maioria dos boiadeiros não gosta de falar, entretanto Zé do Laço, entidade responsável por me conduzir à Umbanda, sempre conversou muito e discorria sobre assuntos que não se espera de um simples homem do campo. Certa vez me dissera ter sido um filósofo no passado.

            Nesta história ele me conta sobre uma de suas vidas, o que para todos que tiveram oportunidade de conhecê-lo se revelará um contraste: como a mais alegre entidade com quem trabalho teve uma história de vida tão oposta ao que se espera de uma pessoa que está sempre de bem com a vida?

                Assim como eu muito aprendi com todas as entidades que se manifestaram nos três livros da série “Paralelas da Umbanda”, eu espero que você, leitor, possa também usufruir da viagem que a leitura proporciona, mas especialmente, que não espere encontrar aqui ‘mais do mesmo’.

                Em nenhum desses três livros você encontrará o que já ouviu falar sobre Baianos, Marinheiros e Boiadeiros. Muito pelo contrário, o mais provável é que você fique com a impressão de que não leu um livro sobre Umbanda.

                De fato você não lerá um livro especificamente sobre Umbanda: mas sobre espíritos que se propõem a compartilhar uma janela de suas experiências milenares ao longo do tempo. Mas uma janela muito especial: uma que permite vislumbrar um momento único onde eles alcançaram o que podemos denominar em linguagem atual de “salto quântico”.  

                Hoje esses espíritos continuam a trabalhar pela evolução das consciências humanas – e são muito pouco afeito a rótulos. Eles não são “espíritos de Umbanda”, mas sim espíritos livres que trabalharão onde puderem auxiliar, seja no Kardecismo, na Fraternidade Branca, na Umbanda, ou ainda anonimamente. Ainda que respeitem os ritos dos lugares que lhes oferecem oportunidades de trabalho, eles não estão presos a fórmulas de trabalho, e seu foco é na mensagem e no serviço de caridade ao próximo que possam realizar.


Salve o Grande Oriente
Salve a Umbanda de Oxalá
Salve Todos os Orixás!
Salve Todas as Falanges que Trabalham na Umbanda!