segunda-feira, 25 de maio de 2015

O Oriente na Umbanda - Eastern Influences in Umbanda


(English translation below)

A Umbanda não é um religião de origem africana, mas sim uma miscelânea de influências de todos os povos que aqui aportaram e trouxeram consigo sua fé e formas de praticar magia. Justamente essa característica faz dela, como outra de tantas práticas espirituais xamânicas,  um método de conexão espiritual flexível para qualquer parte do globo, não apenas um fenômeno brasileiro.
Alguns buscam no candomblé as bases para firmar seu templo, sua casa umbandista, valorizando inclusive o vocabulário e cantos oriundos das línguas africanas; outros sentem-se mais confortáveis em casas onde a influência cristã católica se faz presente nas imagens de santos e das orações tradicionais do cristianismo; ainda outros sentir-se-ão mais à vontade em casas que aos seus irmãos de culto poderão parecer 'assépticas', sem imagens ou uso de atabaques ou cantos, num ambiente o mais 'clean' possível, onde o poder mental sobrepõe-se ao estímulo sensório de ervas, sons e símbolos.
Uma Umbanda não é mais 'fraca' do que a outra, mais 'firme', ou mais 'tradicional'. Simplesmente porque cada casa não terá sido aberta - ou pelo menos não deveria ter sido - sem aprovação dos mentores espirituais que regem os trabalhos de Libertação, Conscientização e Cura que ali serão realizados. Naturalmente que se os espíritos de luz que acompanham um determinado médium tiveram experiências em vidas prévias dentro de uma determinada cultura, isso irá se manifestar na forma de culto impressa via astral para a matéria daquele templo de socorro espiritual. Assim como as características presentes no DNA dos pais manifestam-se no filho, da mesma forma as forças espirituais que são os pais/mentores que comandam um templo nele deixarão impressas as suas características.
 Equívocos sérios e que causam conflitos energéticos graves dentro do terreiro ocorrem quando o caminho inverso ocorre, e o sacerdote resolve, por questão de gosto particular, decide, porque acredita estar assim 'fortalecendo' sua casa espiritual, implantar tradições e costumes que não se afinizam com a egrégora REAL que rege os trabalhos espirituais que ali ocorrem. Quando o pai ou mãe de santo quer ter mais magia do que seus guias, aí sim começam os problemas e há quebra de corrente mediúnica trazendo sérios prejuízos para os trabalhadores e voluntários do local!
Sim, a Umbanda pode ter guias e fundamentos oriundos do Budismo, do Islamismo, do Paganismo, da Feitiçaria Européia e do Xamanismo Universal. Ela não está 'corrompida' ou 'suja' apenas porque você não está 'acostumado' com o que viu na última gira, ou porque 'as suas entidades' nem as do seu pai/mãe de santo, nunca fizeram assim. A melhor definição de Umbanda que ouvi até hoje diz que "A Umbanda é um corredor que dá para muitas portas", o que está de acordo com minha visão de um modus operandi para diversas forças que operam na e para a Luz. Ainda que não defendamos as misturas de cultos e rituais, há que se lembrar que do outro lado do véu não há as separações típicas da dualidade humana. Um ritual wiccano não é um ritual de Umbanda, porém um mesmo espírito que tenha atuado naquela egregora pode se manifestar num terreiro se houver ali um médium capaz de servir como veículo para a contribuição que ele possa trazer e isso não significa violar a tradição. Convém lembrar que a Umbanda nasce mestiça em pleno século 20 justamente para acompanhar as mudanças que o homem passou neste século de transformações tão radicais e estar ao seu lado durante esse processo mantendo sempre em mente aquilo que realmente importa: a prática da caridade, gratuita, a todos, independente das ideologias de quem procura sua assistência, sem exigir conversão e muito menos sacrifícios.
A Umbanda não veio para manter o velho e sim para sobreviver ao novo, propiciando que a essência - e não a forma - esteja disponível à humanidade do século 21. Esquecer-se disso é preterir o espírito e privilegiar a aparência.
Quando iniciei meu desenvolvimento, os primeiros contatos que tive através da mediunidade foram com o chamado Povo do Oriente, Linha do Oriente ou ainda Corrente do Oriente, povo que evoluiu e desenvolveu sua sabedoria em outras disciplinas espirituais, muitas totalmente desconhecidas para o público ocidental de classe média ou baixa que frequenta os terreiros de Umbanda e que hoje somam-se às falanges que labutam na Umbanda contribuindo com seu conhecimento e 'expertise' magística.
Segue abaixo uma das primeiras psicografias que recebi, quando ainda em treinamento num famoso centro da capital paulista, que embora não traga escrita a palavra 'oriente' deixa claramente explícita a origem de seus comunicantes:

Perseveramos através dos séculos
Vivos nos seus corações
Sabedoria de outrora trazemos
Nós, filhos de eras passadas
Em que o Salvador era uma promessa
Bem-vindos, estamos felizes
Por participar da obra da redenção
Viemos de outrora
Alegres no Coração
Somos pagãos e profetas
Espíritos que ao Senhor louvarão
Nesse caminho bendito
Que muitos de nós trilharão
Em novos caminhos da reencarnação
Temos muito a ensinar
Se permitirem-nos ajudar
O pouco que trazemos
Em muito vai se multiplicar
Há muito para falar
Com um beijo e uma estrela nos despedimos
Nós, com amor,
Os Novos Pagãos do Senhor
(13/04/2000)

Translation:

Umbanda is not an Afro-Brazilian religian, but a mix of influences of all people who came here and brought with them their faith and forms of practicing magick. This characteristic indeed is what makes it, as many other shamanic spiritual practices, a flexible method for spiritual conection for any part of the globe, not only a Brazilian phenomenon.
Some seek in Candomblé its basis to settle their temples, their Umbanda Houses, valueing most of all the vocabulary and chants from African languages; others feel more comfortable in temples where Catholic influence make itself present in the statues of saints, angels and in traditional Christian prayers. Yet even others will feel at home in houses which would appear to be 'aseptic', without images, drums or chants, in a as clean as possivel environment, where mental power overcomes sensory stimuli of herbs, sounds and symbols.
There is no such thing as a weaker, a stronger, or a more traditional  Umbanda. Simply because each temple would not have been opened - or at least should not have been - without being approved by the spiritual mentors who are in charge of the works of Freedom, Awareness and Healing which are being held there. Naturally when the spirits of light who accompany an specific medium had their previous lives experiencing within a determined culture, this might manifest in the form of cult printed via astral to matter in a temple for spiritual assistance, the same way the DNA characteristics from the parents present themselves in the child.
Serious mistakes  cause terrible energetic conflicts within an Umbanda temple when the opposite route occurs, and the priest decides, for the sake of a particular personal taste, and because he or she believes to be turning his or her House 'more powerful or protected', to implant traditions which are not in unison with the REAL egregore leading the spiritual work that takes place in there. When the priest of priestess wants to have more magick than their spiritual guides, then problems begin to occur and there is the rupture of the magickal current, bringing serious harm to all workers and volunteers in the local!
Yes,  Umbanda can have spiritual guides and basis originated from Budism, Islan,  Paganism, European Witchcraft and Universal Shamanism. It is not corrupted or dirty only because you are 'not used' to what you saw in the last session or because the entities you work with or your father/mather in the religion have never done things that way. The best definition I have heard for Umbanda states it as 'a corridor to many doors', what is in accord with my views of a modus operandi to several forces which operate in and for the Light. Although we do not defend mixture of cults and rituals, we should always remind ourselves that on the other side of the veil there is no the typical separation we deal with in human dual world. A wiccan ritual is not an Umbanda ritual, even though a spirit who have dealt in one tradition might appear and deal in other since there is a medium capable of being a vehicle for its contribution, and that is not a violation to any of the traditions.
Let's keep in mind that Umbanda is born halfbred in the 20th century to follow the radical changes mankind goes through and still be around during this process maintaining only what really matters: practicing charity, for free, no payment involved when you propose yourself to do good to all, independently of the ideologies of those seeking for spiritual guidance, without demanding convertion or sacrifices.
Umbanda is not to keep the old, but to survive the new, making sure that the essence - not its form - will be available to the mankind of the 21st century. To forget that is to overlook the spirit and privilege the looks.
When I iniciated my psychic writing development the first contacts I had were with the Eastern People, who evolved and had their wisdom aquired in different spiritual disciplines, many totally unknown to the Western Low and Middle Class public who attend the Umbanda Temples. They add their share of knowledge to all other groups of spirits who contribute with their views on Spiritual Laws and magickal expertise.
Below is one of my initial psychographies (channeling) while still in training in one famous spiritual centre in the capital of Sao Paulo. Whilst the word 'Eastern' can't be visualized, it is very clear that the communicating spirits want to make their origin explicit:

We persevere through centuries
Alive in your hearts
Wisdom from old days we,
The children of yesterday, bring,
When the Savior was just a promisse.
Being welcome, we are happy
To take part in the opus of Redemption
We came from yore
Joyful hearts
We are pagans and prophets
Spirits who will praise the Lord
In this blessed way
Many of us will track
In new routes of reincarnation.
We have a lot to teach
If you allow us to help
The little we know
Will multiply into much
There's a lot to speak
With a kiss and a star we say farewell
With Love
from us,
The New Pagans of the Lord

(13/04/2000)