segunda-feira, 21 de abril de 2014

Mediunidade e Práticas Oraculares - parte III

Mediunidade e Práticas Oraculares parte 3


Continuação do post anterior

Conforme contei a vocês na primeira parte deste texto, disseram-me, sobre o estudo de oráculos como o Tarot, Baralho Cigano ou Runas que:

Isso atrai espíritos de baixa evolução, você ficará obsediada”
Você não pode cobrar, porque não se cobra a mediunidade”
Você ganhará dinheiro de forma desonesta, em cima do desespero alheio”
Espíritos de alta estirpe não se propõem a fazer vaticínios”
Se você não cobrar, sua 'visão' vai sumir porque os ciganos não aceitam trabalhar sem cobrar, nem que seja uma moeda simbólica”

Nesta terceira e última parte abordaremos essas duas últimas afirmações.

4) Espíritos de Luz não se propõem a esse tipo de serviço
Qual serviço?
O de orientar quem procura ajuda sincera, de um oráculo e de uma terapia? Que está comprometido com a reforma íntima em sua mais sincera vertente? Que quer mudar e procura cursos e técnicas que o ajudem a superar traumas e a ser um ser humano mais feliz e melhor a cada dia?
Então espírito de luz serve pra quê? Pra pegar o evangelho diante do púlpito?

Existem espíritos com designação para tudo que a mente humana possa imaginar e até o que ela não possa. Existem espíritos que assistem nas produções televisivas, porque elas ajudam a modificar padrões de pensamento ultrapassados das massas, que não têm mais lugar na sociedade que se precisa construir para um futuro melhor. Existem espíritos que atuam em escolas veterinárias auxiliando os estudantes a encontrar meios de fazer com que a humanidade olhe com mais carinho e haja com maior fraternidade para com os animais. Existem muitos espíritos ligados a todas as áreas de atividade pedagógica, do desenvolvimento de material didático às salas de magistério, e sim, existem espíritos dedicados ao atendimento de pessoas que buscam as terapias alternativas e o auxílio de um oráculo quando sentem a necessidade de dar uma guinada positiva na vida.

5) Se você não cobrar sua 'visão' vai sumir
Essa é uma crença popular principalmente entre profissionais que utilizam o baralho cigano. Há algumas explicações históricas para essa 'crença' ter se propagado, mas, na minha experiência ela é totalmente falsa.
Nunca deixei de ler para alguém que necessitasse de orientação e não pudesse pagar.
Sou míope desde os 13 anos, só se for essa visão que eu perdi ao longo dos anos... Só que não, eu já usava óculos antes de aprender a ler cartas!

A cigana com quem trabalho não se importa se eu cobro ou não, se importa se eu deixo de dar os recados dela ou não....
Eu não gostava de cobrar, não apenas por pura questão de preferir fazer a caridade, mas porque me punha no direito de escolher com quem gastava meu tempo. Atitude que obviamente eles reprovavam. Eles preferem que eu cobre e atenda mais pessoas, indistintamente. Na verdade uma outra cigana que me acompanha me disse certa vez:
“Para nós que precisamos que tu atendas alguém para poder fazermos nosso serviço, é preferível que tu cobres e gastes as horas do dia trabalhando com isso profissionalmente do que faça um concurso público ou dê aulas, porque durante o tempo em que precisas trabalhar para viver, nós não temos a mesma utilidade. Então preferimos que trabalhes com algo em tempo integral com o qual possamos também colaborar, pois para isso estamos aqui, e foi isso que acordamos antes do teu reencarne, embora tenhas livre-arbítrio e possas fazer, como já fizestes, com relação à tua vida profissional, algo diferente. Entretanto, creio que irás ver com o tempo que juntas podemos fazer mais. Além disso, atender os outros te obriga a exercitar a paciência e a compaixão com o próximo, e ajuda a combater tua arrogância natural. Imagine se os médicos pensassem como tu, que te indignas de atender as pessoas porque julgas que deste o teu melhor e elas muitas vezes preferem ignorar tuas palavras. Eles estudam anos, prescrevem os remédios e as mudanças de hábito e de dieta necessárias à preservação da própria vida do indivíduo e eles olvidam das recomendações na primeira dificuldade ou tentação à mesa. Se os profissionais da saúde pensassem como tu e esperassem compromisso e ação condizente com o que foi dito durante uma consulta, já não haveria médicos para atender a população. Incluindo a ti, que também não és a melhor das pacientes”.

Bom, nesses 25 anos eu passei muita necessidade enquanto atendia gratuitamente por causa dos meus escrúpulos, para depois ouvir da pessoa que me procurara, que pagara outro profissional depois, mais famoso e que cobrara seis vezes o que eu teria cobrado na época, para ouvir as mesmas coisas.
Então, o resumo da ópera é o seguinte: você pode ler sem cobrar, mas muitas vezes a pessoa valoriza muito mais suas palavras quando precisou pagar. Além disso, cada um tem uma missão na vida, se a sua estiver ligada a prestação desse serviço profissionalmente, aconselho que não somente cobre desde sempre, como se profissionalize em outras terapias alternativas e se regularize junto aos órgãos competentes, pague seu INSS como autônomo, pra não chegar aos 40 falida como eu cheguei.


Para concluir quero atestar que a prática oracular me ajudou imensamente a entender os processos da fenomelonogia mediúnica e a aprender a acessar voluntariamente as informações que existem para ser lidas energéticamente ao redor de uma pessoa ou situação – em outras palavras, a utilizar a mediunidade de forma consciente e com um propósito definido.

Incorporei pela primeira vez uma entidade aos 34 anos, bem tarde para os padrões usuais. Atuar envolvida pelo mental da entidade, 'canalizar' como diriam alguns (erroneamente) ou 'psicofonia inspirativa' eram coisas às quais estava habituada, mas meu desenvolvimento na Umbanda quanto ao fenômeno de incorporação, ocorreu muito depressa depois da primeira ocorrência com o boiadeiro, porque eu desde os 11 já estudava sobre mediunidade e desde os 15 vinha em contato com os mentores que me assessoravam durante o trabalho com oráculos e terapias florais. A única forma de mediunidade que eu não havia desenvolvido era a incorporação, por medo. Quando chegou a hora marcada, e com o auxílio das pessoas certas, tudo deu-se de forma segura e ordenada. Mas eu me 'desenvolvi' de forma tanto geral como específica com a prática oracular; com ela aprendi a identificar energias positivas, negativas, intrusas, mentores, obsessores, entes queridos, animais de poder, vidas passadas, missão reencarnatória e todo o tipo de informação que pudesse auxiliar na orientação do meu próximo. Oráculos me ajudaram a encontrar respostas sem o choque de uma clarividência ostensiva ou de uma clariaudiência mais assustadora, para que depois eu tivesse segurança de me soltar nos labirintos surreais da mediunidade sabendo que o fio de Ariadne me conduziria de volta para o mundo da razão.

Eu recomendo, portanto, que todo médium estude um oráculo se isso lhe parece útil em seu caso particular, pois considero uma ferramenta de auto-conhecimento e de aprendizado sobre como ler os registros energéticos que nos rodeiam das mais eficientes.

No mais sincero desejo de que este texto tenha lhe sido útil, lhe peço agora um favor, se você puder:

Caso não conheça, acesse o link abaixo e conheça o trabalho lindo do Clube dos ViraLatas.
Se estiver em condições, doe a quantia que puder e ajude os animais a ter uma segunda chance na vida!


www.clubedosviralatas.org.br

terça-feira, 8 de abril de 2014

Mediunidade e Práticas Oraculares - parte II


Mediunidade e Práticas Oraculares parte 2


Continuação do post anterior

Disseram-me, sobre o estudo de oráculos como o Tarot, Baralho Cigano ou Runas:

Isso atrai espíritos de baixa evolução, você ficará obsediada”
Você não pode cobrar, porque não se cobra a mediunidade”
Você ganhará dinheiro de forma desonesta, em cima do desespero alheio”
Espíritos de alta estirpe não se propõem a fazer vaticínios”
Se você não cobrar, sua 'visão' vai sumir porque os ciganos não aceitam trabalhar sem cobrar, nem que seja uma moeda simbólica”

Vou ficar por hoje só nessas cinco principais falácias, porque se fosse me estender a todas, o post seria infinito.

Número 1- Prática de Oráculos atrai espíritos inferiores
Na verdade, além de sempre ter tido a consciência de que era intuída a quais livros ler, e o que estudar, pois isso me serviria no futuro, alguns oráculos, como o Ogham, o Oráculo das Árvores Celtas, me foram passados 80% de sua simbologia e funcionamento muito antes que eu tivesse acesso a farto material escrito sobre o mesmo – fui uma das primeiras pessoas a trabalhar com esse oráculo no Brasil – e com certeza quem a mim o ensinou, tinha como objetivo primordial, além da minha própria “educação oracular”, orientar as pessoas, pois me instruiu até a fazer um “mapa natal” baseado nesses conhecimentos.
Além desse espírito, que insistia para que eu me aprimorasse como um 'ovado' ou 'ovate' (um grau do druidismo), tive a companhia de uma cigana, o segundo espírito a se manifestar depois da Vó Maria em minha vida, auxiliando em todas as consultas, inclusive me explicando que nem tudo o que eu via ou me era passado era para ser dito à pessoa a minha frente, e sim para que eu entendesse melhor a situação e compreendesse a direção de aconselhamento que seria posta em curso para melhor atendimento àquele caso.

Eram eles espíritos pseudo-sábios?
Algo que eu não quero jamais para mim é me parecer com as preletoras do centro espírita que minha mãe frequentava, que posavam de 'secretárias de Deus' e estavam sempre prontas a julgar o próximo com a avidez de quem se acreditava o mais puro exemplar remanescente do povo essênio. Prefiro me posicionar da seguinte maneira: “Quem sou eu para aferir o nível de evolução espíritual de alguém, seja encarnado ou desencarnado?”

Sendo assim, não posso afirmar que essa cigana seja um luminar da espiritualidade, mas posso dar meu depoimento de que ela, de todos os espíritos com quem trabalho e que muito me ensinam, foi a que me ensinou a SER GENTE, e que quando eu 'crescer' quero ser igual a ela, pois domina coisas que parecem extremamente simples e naturais quando ela está no comando, mas que para mim, dentro das minhas dificuldades, são de complexidade apavorante, sobretudo com relação à maestria com que ela lida com assuntos de família, dos quais fujo como o diabo da cruz.

Ambos espíritos que citei durante suas evoluções obviamente tiveram de buscar muito conhecimento para poder ensinar o que hoje sabem, são mestres de muitas ciências antigas, e embora com certeza não sejam perfeitos, sempre me induziram à calma, barraram minhas tendências intempestivas e abrandaram minha ansiedade crônica. Sempre me exigiram posturas evangélicas no tratamento com cada irmão que me procurasse para aconselhamento – postura essa que nem sempre eu espontaneamente manifestaria, imersa em preconceitos e julgamentos próprios da imaturidade.
Acho que posso dizer, no mínimo, que eles não se encaixam no perfil de espíritos obsessores ou pseudo-sábios, em vista de suas atitudes e dos resultados que o trabalho que me ensinaram a fazer trouxeram.

2) Você não pode cobrar pelo uso da mediunidade
A maioria das pessoas acha que quem lê cartas o faz incorporado, ou um espírito lhe sopra tudo. Isso pode acontecer e acontecia muito no passado, quando as senhorinhas sem estudo e que cobravam trocados faziam leituras no fundo do quintal, geralmente seguidas por um benzimento; muitas praticavam o que diziam ser 'mesa branca' e o valor era considerado como uma 'ajuda para a manutenção do local'.
Acontece que uma pessoa que se diga astróloga, numeróloga ou leia um oráculo como runas, tarot, baralho cigano e outros, precisa estudar E MUITO! Livros e cursos não são gratuitos. Eu gastei ao longo da minha vida muito mais do que ganhei com meu parco salário de professora para adquirir conhecimento.
É lógico que se o indivíduo é médium terá um diferencial, uma vez que se ele tiver entidades que se propõem a auxiliar nas consultas, ele sempre poderá acrescentar um 'algo a mais', mas o PROFISSIONAL DAS ÁREAS ESOTÉRICAS teve que estudar, comprar material e fazer desse conhecimento – tanto dos oráculos, como da psicologia, da psicoterapia e de várias terapias alternativas com as quais a maioria trabalha – sua profissão.
Com ou sem auxílio de um espírito ele tem o conhecimento para levar a cabo uma consulta bem sucedida. Ele usa a intuição? Sim! Mas também não o usa a costureira, o publicitário e os cabeleireiros? Entretanto todos tiveram de estudar e adquirir preparo técnico para executar suas funções.
O médico, o arquiteto ou o corretor de imóveis que porventura é médium, poderá auxiliar voluntária ou involuntariamente alguém que procura seus serviços – mas isso é um bônus, não está previsto no valor da consulta. Sorte de quem encontra um profissional que é assistido por uma entidade afim em sua profissão.

A verdade é que com profissionais sérios de Tarot ou outras ciências esotéricas, a mediunidade pode até auxiliar, mas ela não é o objeto da comercialização, e sim o estudo de quem a isso se dedicou. Portanto, não se está cobrando pela mediunidade.

3) Você se aproveitará da angústia alheia para fazer dinheiro
Ah, desculpa, mas quem ganha dinheiro com a angústia, a ansiedade e o desespero alheio são as lojas de sapato, bolsa, lingerie e chocolate!

Quem lê cartas oferece um conselho que muitas vezes é óbvio mas não seguido, se acaba em tentar explicar que um relacionamento não tem futuro, que a pessoa deve cuidar de si e parar de viver obcecada pela vida dos filhos; que deve zelar pela própria saúde, cuidar da sua espiritualidade e a pessoa só quer saber de futilidades ou é mono-mental (só tem um assunto em mente = homem, namorado, noivo, marido, ex-marido). Muitas vezes parei de atender as pessoas por conta da minha impaciência com esse 'tema'. Falar de relacionamentos sem dúvida é um aspecto importante da vida – desde que exista algo a ser falado. A maioria das mulheres precisa aprender a viver sozinha sem se sentir um ser pela metade, e aprender a dar e obter amor de tudo que está ao seu redor, sem necessitar de um amante para se sentir completa.

A mais cara das consultas não se equivale ao que essa mulher, a consulente média de todo profissional oracular, gasta mensalmente no cabeleireiro.

Além disso, existe atendimento gratuito em qualquer centro espírita, templo umbandista ou igreja de inúmeras denominações.
Existem os falsos pais de santo, os que inventam trabalhos para fazer ou para desmanchar e que cobram fortunas por isso, mas isso não é um tarólogo, é um pilantra.
Que atraiu quem com ele estava afinizado.


Na postagem da próxima semana abordaremos as duas últimas questões levantadas: sobre a elevação moral dos espíritos que se propõem a trabalhar com consultas oraculares e sobre a superstição de que se é 'obrigado' a cobrar por uma leitura de cartas sob pena de perder o dom …

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