segunda-feira, 24 de março de 2014

Mediunidade e Práticas Oraculares

Mediunidade e as Práticas Oraculares


Quando eu tinha 14 para 15 anos, meu pai adoeceu, os negócios iam mal e eu precisei cancelar as aulas de piano. Fui de bicicleta, como sempre, até a casa da professora, mas ela não se encontrava. Resolvi esperar, e sua mãe me fez companhia na sala. Após uns 40 minutos de silêncio, 'do nada' falei:
“Eu queria que alguém lesse cartas para mim.”
 Ela também 'do nada' respondeu:
“Eu não gosto de falar pra ninguém que eu leio, mas se você vier aí outro dia, quando meu marido não estiver, eu leio para você.”

No dia combinado fui até sua casa e ela contou que pretendia treinar seus dons para não mais precisar utilizar cartas para obter respostas, que queria se treinar para não precisar de nenhum objeto que servisse como 'muleta psicológica', mas que quando pegava nas cartas, uma preta velha se aproximava, que eu não tivesse medo.
A consulta correu de forma tranquila, confortou meu coração necessitado e além de tudo o que ela me disse, e que de fato aconteceu, comigo e com minha família, incluindo o desencarne do meu pai, ela me disse:
“Isso que eu faço, você também pode fazer.”

Eu já havia tido episódios de deja vu severos, desde os 9 anos de idade, e profetizado coisas, em vigília, sob inspiração, ou vistas em sonhos; episódios que ocorreram e me intrigavam, mas oráculos e magia eram coisas que não existiam, assim eu havia aprendido no kardecismo.

Movida pelo mais legítimo espírito cético-empírico comprei uma revista de tarot na banca de jornais, li, estudei a 'aprendi' o mecanismo de leitura das cartas. Mas achei que aquilo não tinha a menor lógica, no sentido de que não fazia sentido que desse certo para cada pessoa individualmente, uma vez que você embaralhava as mesmas cartas e lidava com os mesmos significados a cada nova jogada, com indivíduos que tinham não apenas personalidades, mas histórias e questões totalmente diferentes. Então fui à prática, chamei as amigas da minha mãe e avisei:
“Olha, deixa eu ler cartas pra você, mas você não acredite em nada do que eu disse, eu estou só treinando, tá?”
Resumindo, na semana seguinte elas estavam na porta dizendo que tinha acontecido o que  eu havia falado.
Daí eu fui obrigada a estudar pra entender o que na minha mente, não deveria ter ocorrido.

Por sorte eu fui estudar numa escola técnica no Brás que tinha uma extensa biblioteca semi abandonada, também fiz amizade com o dono de um asilo mantido pelos espíritas e maçons da Vila Carrão que também tinha uma maravilhosa biblioteca escondida no porão, essas duas bibliotecas mais a do bairro – que já era meu jardim de delícias – puseram por terra meus preconceitos com relação a tudo que dizia respeito ao florescente esoterismo no cenário pós-Convergência Harmônica do Brasil. Paulo Coelho fazia sucesso e a Wicca tornava-se conhecida, bruxas estavam na mídia, livros pretos chamavam a atenção nas vitrines, e séries de TV mostravam que você podia encontrar um anjo ali na esquina. Mas também, isso eu devo reconhecer, minha formação kardecista me ajudou a distinguir o muito de joio que existe nesse universo, dito esotérico, do pouco, pouquíssimo mesmo, trigo.
Só que esse pouco é de uma extrema relevância.

Além do pentateuco kardequiano, eu li todas as edições da Revista Espírita e também sobre a divergência de opiniões entre Kardec e Papus. Então depois eu li Papus, e achei que ele tinha razão em muito do que dizia. Li livros da Rosacruz, Golden Dawn, Teosofia, Lobsang Rampa, e tudo que dizia respeito a magia – falo aqui da magia cerimonial, de raízes judaico-cristãs, que era a vertente que a maioria dos livros discorria, e infindáveis enciclopédias de ocultismo, astrologia e, como se diz em inglês, all that jazz. Mas algo faltava que me 'tocasse', e esse algo veio com a Wicca e posteriormente seguiu com o Druidismo, em uma visão mágica de mundo onde o sagrado e a natureza se mesclam no reconhecimento da face desprezada de Deus, a sua face feminina.

Como já mencionei antes, apesar de sempre auxiliada pela Vó Maria, que já acompanhava minha mãe desde a época em que ela me carregava no ventre, não fui procurar a Umbanda. Ela, a Senhora da Luz Velada, me chamou, através da manifestação do Boiadeiro Zé do Laço, porque na Umbanda era minha missão. Mas minha alma é pagã, não negarei jamais – embora não tenha nenhum problema em frequentar a missa, muito menos em psicografar mensagens de cunho profundamente cristãos, pois sou uma mera escrivã, e não me cabe dar palpite nos escritos alheios.  Particularmente minha religiosidade é eclética, e mais do que ecumênica, diria mesmo que é “selvagem” pois não aceito – embora RESPEITO – imposições doutrinárias de ninguém, meu pensamento não é domesticável e eu prezo minha liberdade intelectual mais do que tudo na vida. Minhas experiências dentro da espiritualidade não se encaixam sob nenhum rótulo, e da mesma forma que eu 'visto a camisa' de Ogum, visto com o mesmo respeito a de Krishna, e com o mesmo amor a de Brighid.
Não é de se estranhar que pensando assim, as entidades com quem trabalho sejam na maioria vinculadas à Linha do Oriente, que é tanto amada por uns como mal falada por outros dentro da Umbanda.

Muitos estudiosos poderão falar com propriedade sobre os mecanismos da mediunidade, sobre o desenvolvimento da mediunidade na Umbanda ou sobre as Leis da Magia sobre diferentes óticas e aspectos, mas de uma coisa eu entendo após 25 anos de prática, dando cursos, palestras e atendimento, e essa coisa se chama “prática oracular” e é sobre ela que eu quero hoje falar.

Disseram-me:

“Isso atrai espíritos de baixa evolução, você ficará obsediada”
“Você não pode cobrar, porque não se cobra a mediunidade”
“Você ganhará dinheiro de forma desonesta, em cima do desespero alheio”
“Espíritos de alta estirpe não se propõem a fazer vaticínios”
“Se você não cobrar, sua 'visão' vai sumir porque os ciganos não aceitam trabalhar sem cobrar, nem que seja uma moeda simbólica”

Se você também já se encontrou nessa situação, 'sentindo' que devia estudar um oráculo como o tarot, o barulho cigano ou as runas, mas ouviu de alguém que isso não era compatível com a prática mediúnica 'honesta' e 'responsável', talvez a minha experiência nesse setor possa ser útil para você.

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