quinta-feira, 20 de agosto de 2009

O Escritor e a Rendeira




“Um homem de palavras deveria ser um homem de palavra.”

Era a oitava vez que repetia para si mesmo desde que se sentara para escrever há 20 minutos. Nenhuma linha produzida. Tudo bem, 20 minutos não é quase nada... mas ontem foram 2h20 minutos de tentativas fracassadas e antes d’ontem mais 4.

“Quase a tarde inteira, até que a fome me chamou pra cozinha e daí já era quase hora de ver o jornal. Um escritor deve estar bem informado” - desculpou-se para si mesmo – “E alimentado. Não dava para se concentrar com fome.”
O escritor olhou para a folha quase em branco à sua frente.
“Hoje é preciso produzir para recuperar o tempo perdido.” Lembrou-se de que já fazia 4 dias que estava ali, na ‘Pousada do Repouso’, uma aliteração de propriedade de amigos que lhe ofereceram estadia para que sua mente supostamente criativa pudesse trabalhar sem ser interrompida. Ele tinha uma editora (ou seria melhor dizer que a editora o tinha?) e um prazo, mas ainda não tinha uma história. Na cidade, entre telefonemas de parentes, interfonadas do síndico e o barulho dos vizinhos, escrever tornou-se missão impossível. Isso sem falar nas tarefas inadiáveis que surgem do nada. Por isso ele achou melhor aceitar a oferta dos amigos. Com um pouco de sossego tinha certeza que poderia dar origem a uma obra-prima. Antes não tivesse aceitado, parecia que tanto sossego o estava bloqueando.

“Talvez no furdunço da cidade produzisse mais.”

Intrigado, pensou num instante sobre o porquê disso.

“Na cidade grande o barulho faz a mente da gente fugir pra encontrar refúgio na ficção. Esse silêncio todo daqui é como um mar de possibilidades, a gente tem vontade de sair, correr pelos campos, sabendo que não será atropelado pelo trânsito, e ver o que há além. Parece que o mundo inteiro pode se esconder ali mesmo, atrás da próxima árvore, quiçá até um mundo novo, como o que Alice encontrou quando seguiu o coelho... ou chegar a Narnya por um guarda-roupa...”

Olhou ao redor de seu quarto na pousada e viu que só havia uma cômoda.

“Tsc, tsc,” Não era hoje que ele criaria o próximo clássico sobre universos paralelos. Já que Tolkien continuaria sem rivais (Oxford devia ter uns baseados legais rolando pelos corredores) era melhor ele procurar outra fonte de inspiração.

Passou a mão no queixo e achou uns fios espetados na barba malfeita. “Preciso ir à cidade comprar gilete” mas a brancura do papel chamou-o de volta ao presente. “Depois eu vejo isso.”

Outro dia, entre uma rabiscada e outra, veio a irresistível vontade de traçar a árvore genealógica da família; ao fim dos cálculos descobriu que tinha 43,75% de sangue português, 25% de italiano, 18,75% de sangue negro e 12,5% de espanhol. Após concluir que era mesmo brasileiro tentou voltar ao livro, mas a inspiração não vinha mais.

Agora retornava ao seu recentemente criado ditado literário:

“ ‘Um homem de palavras deve ser também um homem de palavra’... acho que eu poderia citar essa frase em algum momento no livro, daria um bom efeito... Se pelo menos eu soubesse sobre o que vou escrever...”

E porque, como a neurolingüística explica, quando o ser humano procura solucionar algo, seus olhos movem-se para cima na tentativa de acionar determinadas partes do cérebro, ele avistou o lustre da sala em que se encontrava.

“Interessante... não tinha reparado nesse lustre antes....
Quantas histórias pode ter presenciado....Taí! Achei o tema: vou escrever sobre os amores, desventuras, cenas alegres e tristes, cômicas e cruéis que se desenrolaram abaixo de um determinado lustre. Pode até ter havido um crime! É isso mesmo – exclamou entusiasmado – a história vai se chamar ‘O Lustre’!”

Findo o primeiro dilema, esbarrou na próxima decisão prática: precisava escolher o local onde esse lustre estaria. Haveria de ser um local privilegiado para presenciar eventos variados.

“Uma casa antiga, gerações em conflito? Não, muito Allende.
Um museu... uma igreja... quem sabe a simples lamparina dum casebre de sapé? Não... melhor não...”

“Pensemos como um detetive” decidiu o escritor “Qual o local onde episódios curiosos poderiam tomar lugar? Um mercado público? Talvez, mas... um lustre num mercado público? Não, ficaria fora de lugar.”
E como todo Sherlock precisa de um Watson, o escritor saiu à procura do seu, movido 50% pelo amor à literatura 50% pelo princípio de fome que se anunciava perto do meio-dia.

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Depois do pré-almoço veio o almoço, e a sobremesa no pós-almoço, aí deu aquela leseira que leva ao soninho dos bem-comidos. E agora já era o meio da tarde e as folhas do escritor estavam tais quais eram pela manhã de ontem e de anteontem. Mas ele ainda se movia pelo sincero intento de preenchê-las com material de distinta qualidade.

Desprovido de idéia melhor, resolveu inquirir a opinião das pessoas próximas sobre onde poderia desenvolver sua trama, que já mudara de título para: “O lustre como Testemunha”.
Porém a maré não estava para escritor e todos os possíveis próximos estavam distantes, passeando pelas trilhas ou nas cidades vizinhas.

_ Em dia de sol ninguém esquenta cadeira na pousada, não. Só mesmo o senhor – informou a mulher entre uma agulhada e outra.

Na voz dela, única alma viva no local, ele reconheceu o tom de estranheza de imediato. Qual escritor já não teve endereçado um “que tipo esquisito” nas entrelinhas? Mas ele perdoõu-a automaticamente, pois ela era do senso comum, o tipo de pessoa que justifica o ditado “A voz do povo é a voz de Deus” como uma aberração da inteligência. Que culpa tinha a pobre diaba?

Todo burro é inocente. E por isso, ingenuamente, ele se pôs a observá-la. Ela era a ‘Eira’ do lugar. Cozinheira, passadeira, lavadeira, arrumadeira, todas as funções que terminavam em eira ela fazia. Era a ela que recorriam os hóspedes da pousada, em sua maioria estudantes e funcionários de escritório estressados em férias, quando tinham fome ou queriam pregar um botão.

Completamente concentrada ela tecia, aumentando ponto a ponto o rendimento do seu trabalho. Ele abstraiu-se no esquecimento de seus dilemas literários a contemplá-la e, quando deles se lembrou, começou a invejá-la. Com que profunda concentração ela manejava suas agulhas que nem se a Virgem à sua frente aparecia, cercada pelos anjos, do ofício não a desviaria. Vez por outra ela suspirava fundo, ou com o pulso coçava o nariz, mas não perdia o embalo de um ponto aqui, outro ali.

Ah, se ele pudesse trabalhar assim! Mas, é claro, há que se levar em conta que ela não precisava de inspiração como ele, era apenas mero trabalho manual, para qual o cérebro é pouco requisitado. Mesmo assim cobiçava a velocidade de produção dela. Se pudesse, como ela, ir juntando letra a letra, formando um texto dotado ao mesmo tempo de sentido e beleza.... Somente se copiasse um dicionário! Até as traduções tinham o desagradável costume de travar em algum trecho.
Ele admirava a agilidade na tecitura das rendas. Se era crochê ou tricô não saberia dizer; para sua ignorância de homem intelectual e urbano o universo artesanal da mulher era grego. Para ele eram tudo rendas! Todos os babados, delicados frutos de agulhas eram rendas, algumas de pôr nas roupas, outras de pôr nas mesas, toalhas, cortinas e outros fru-frus sem fim. Assim como a mulher decerto não saberia distinguir crônica de conto, poesia de poema. “É tudo palavra” diria.
Sim, ele era um homem de ‘palavras’. E ela era uma mulher de ‘linhas’.

Então se perguntou:

“Andaria ela sempre na linha?”

Arriscou maroto um olhar por sob a barra da saia dela, que, alheia, contava carreiras. Por baixo da coxa esquerda viu pequenos fios azuis que se insinuavam por suas pernas. Ainda assim ele gostou do que viu.

“Varizes têm um lado poético: são os rios já trilhados no mapa da vida. Por que mares ela teria navegado? Já se teria afogado nas ondas da paixão? O quão experimentada seria nas marés da vida?”

Era jeitosa mais do que linda, mas provavelmente não reagiria bem a uma investida sua.

“Melhor não arriscar.... Mas eu poderia, quem sabe, escrever sobre um escritor que vai a uma pousada e se envolve com uma cozinheira... Não, melhor me ater à história do lustre. Além do que, seria Nelson Rodrigues demais!”

“Ela parece tão quieta, quase não se mexe, não fosse pelas mãos... E se eu escrevesse que ele era uma assombração que aparecia debaixo do lustre em noites de tempestades? Diria a lenda que o marido a teria assassinado com as agulhas de tricô. Não, muito hitchcockiano. Ou ficaria melhor se ela tivesse se suicidado com as agulhas? Não, não, definitivamente não. Todos esses argumentos transcendentais eram excessivamente M. Night Shyamalan.”

Indiferente (?) aos devaneios dele, ela remexeu na cadeira.

_ Café, moço?

_ A senhora gosta de lustres?

_ Como assim ? Lustres? – de novo aquele “que cara esquisito!” nas entrelinhas.

_ De pendurar no teto, com lâmpadas. Antigamente usavam velas.

_ Ah... é, é bonito.

_ ...
_ ...

_ A senhora conhece algum lugar por aqui que tenha um lustre bem vistoso, assim diferente, que chame a atenção?

_ Vi, sim, um assim mesmo, aqui perto.

_Aonde? – entusiasmou-se

_ Na loja lá da central, mas o Zé disse que é muito caro, coisa de rico. Por que? O senhor quer comprar?

_ Não – suspirou – mas aceito o café.

_ Eu vou fazer, então, porque assim descanso um pouco do meu serviço também – ela levantou massageando o pescoço e esticando as costas, igual ele fazia quando levantava de sua escrivaninha – Isso cansa.

“Ahá, ela também se entedia! Talvez até tenha crises existênciais durante o trabalho. Quem sabe mudando o foco da pergunta, desse mato não sai coelho? Além do que, não tem mais ninguém aqui pra perguntar mesmo.”

_ Na verdade eu estou procurando um lugar onde coisas interessantes possam acontecer para ambientar a minha história... a senhora sabe, eu sou escritor.

_ Sei, sim. O senhor passa muito tempo escrevendo.

“Na verdade mais tentando do que escrevendo” ele pensou, mas não disse.

_ Devia se distrair um pouco, tomar um ar – ela continuou – É que nem eu, chega uma hora num güento mais ficar sentada ali com as agulhas, nem enxergo mais os pontos direito. Deve ser o mesmo pro senhor, deve ter hora que as letrinha miúda parece tudo igual!

_ É verdade... sem falar da dor nas costas!

_ Ôxi, homi, então... toma um café, areja as idéias, depois volta pra labuta.

_ É que... não sei se a senhora vai me entender... – enrubesceu – de tanto arejar a cabeça acho que entrou vento demais nas idéias e deve ter dado um furacão que levou as boas pra bem longe...

A mulher o surpreendeu. Primeiro porque tinha um riso claro, aconchegante. Segundo pelo o que disse:

_ Ôxi, se sim! Foi assim com o trilho de mesa de dona Lazinha. Ela encomendou pro casamento da filha um assim bem bonito, que tivesse flores, mas num disse bem o que queria, que ficasse por minha conta. Eu, bem feliz – que ia entrar um dinheirinho, o senhor sabe, né, a gente sempre precisa – nem me preocupei. Mas na hora de fazer, ai meu Deus, que aquilo não saía nem a pau! Toda vez que eu pegava pra fazer, acontecia alguma coisa, ou alguém chamava, ou o Zé precisava de eu fazer algo pra ele... tinha de ver, era sempre uma atrapalhação. Foi chegando o dia da entrega e nada de trilho pronto. Ai, que desespero que foi!

_ E como a senhora fez? – perguntou inesperadamente interessado.

_ Fiz, ué. Bem na véspera eu cabei ele, varei a noite fazendo pra terminar em tempo. Quando chega na data, não tem essa nem aquela; com ou sem vontade tem de entregar o serviço pra quem encomendou, porque senão a gente, além de dinheiro, perde o crédito, daí ninguém mais contrata a gente.

“Qualquer semelhança em minha relação com os editores será mera coincidência?”

_ Quem paga quer ver pronto e bem feito – continuou ela.

_ É a senhora quem inventa os motivos?

_ Não, já tem os traçados pro freguês escolher, daí é mais fácil, é só sentar e fazer. Mas às vezes eu invento um detalhezinho e mudo um pouco pra ficar mais bonito.

_ Que é mais fácil quando dizem o que querem, lá isso é! Nada pior do que tema livre...

_ Tem uns freguês que chega aqui e num escolhe nada, diz pra gente fazer qualquer coisa que tá bom. Daí quando eles vem buscar faz aquela cara que não gostou pra ver se a gente dá desconto.

_ É fogo, né....

_ O senhor recebe antes ou depois de escrever?

_ Às vezes uma parte antes, às vezes tudo depois – ele respondeu, mas estranhou a pergunta.

_ Eu também recebo um pouco antes que é pras linhas. O senhor precisa pra quê?

_ Pra quê o quê?

_ Pra que o senhor precisa receber antes?

_ Pra viver mesmo. Escritor ganha pouco.

Ela parecia ter ouvido o impensável.

_ O senhor não mora em casa com piscina? – inquiriu arregalada.

_ Casa com piscina? – riu – Não, eu moro em apartamento. Por que a senhora disse isso?

_ Eu pensei que toda gente letrada morasse em casa com piscina. Pra que essa trabaiera toda então?! - exclamou indignada – Se nem casa o senhor tem, por que não muda de profissão?

_É vício.

_Ah... eu entendo. O Zé fala: “Pára de pegar essas encomenda, muié, só perde tempo com essas traia na frente da televisão, nem vê a novela direito, e ainda vai pra cama reclamando de dor nas costas!” É que não dá muito lucro, sabe.... –se desculpou e continuou com cara de culpada – mas é como o senhor diz, é um ‘viço’ mesmo porque, mal acabo o almoço, já fico co’as mão doeno pra pegar no crochê!

“Ah, então era isso que ela fazia...”

_ Eu quando não consigo escrever também fico meio doido.

_ O dia que eu não faço umas boa carreira de ponto, parece que num é dia, diacho!

_ A gente faz por amor.

_ É isso mesmo, por amor de ver as coisa bonita pronta. Sabe, dá trabaio, mas depois a gente olha pros móvi enfeitado e dá gosto de ver aquelas belezura terminada. E os outro sempre elogia o trabaio da gente – sorriu faceira – é tão bão, dá um orgúio danado!

_ Eu gosto de ver o livro pronto na estante, convidar os amigos pra noite de autógrafos. Dá, sim, um orgulho danado de bom!

_ Daí a gente até esquece o trabalhão que deu, e logo tem vontade de fazer outro mais bonito ainda do que aquele! Não é, não?

Foi a vez de ele rir com vontade.

_ É assim mesmo! A senhora entende do assunto!

De repente não havia mais diferença entre eles, nem de nível nem de nada. Eram iguais pela experiência. Ele a achou mais bonita e ela viu-o mais interessante.

_ O senhor é casado?

_ Não.

_ Pensei que o lustre era pra sua esposa.

_ Não, é pra história que estou escrevendo. – ele riu.

_ Ainda bem, quer dizer, ainda bem pro senhor porque, se fosse, tenho certeza que ela ia implicar do senhor ficar trancado escrevendo o dia inteiro. O Zé vive implicando comigo.

_ Talvez não, se ela fosse escritora.

_ Ah, mas isso tem de ter muita sorte, é que nem ganhar na loteria. Imagina se eu ficasse esperando um marido que fizesse crochê que nem eu pra casar? Tava solteira até hoje.

_ ...
_ ...

_ Desculpe perguntar mas, quantos anos a senhora tem?

_ Vinte e seis. E o senhor?

_ Trinta e quatro. A senhora é tão nova....

_ O senhor também.

_ A senhora tem filhos?

_ Tenho não.

_ A senhora é de Salvador?

_Aonde...

_ Já vi que é de algum lugar da Bahia.

_ Feira de Santana.

_ E o que faz aqui no Paraná?

_ Vim por causa do Zé.

_ Ele é daqui?

_ É não, é de Brasília.

_ ....

_ É por causa da mãe dele que a gente veio.

_ Ela mora aqui?

_ Não, em Mato Grosso...

_???

_ ... mas o padrasto do Zé...

_ Ah, é daqui!

_ Não, é mineiro, mas quando veio pra cá a trabalho uma vez, conheceu os donos da pousada. Daí a mãe do Zé achou que era uma boa a gente vir trabalhar aqui.

_ Acho que seus pais também são mineiros.

_ Painho é de Três Corações! Como o senhor adivinhou?

_ Intuição.

Ela lhe deu um olhar de mistério.

_ Notei que a senhora disse “a mãe do Zé” e não “a minha sogra”; não se dá bem com ela?

_ É que falando assim o problema é só dele, já se a sogra é minha...

_ Ahhh, muito esperta a senhora! E tem senso de humor...

_ O senhor não conhece a música? Toda menina baiana tem tudo isso e muito mais.

O sorriso que ela deu foi tão amplo que ele lhe viu a úvula.

_ O senhor é daqui mesmo?

_ De Curitiba.

_ E o senhor escreve muito?

_ Depende da época; tem tempos que mais, tem tempos que menos.

_ Quem ensinou o senhor?

_ Como assim?

_ Quem lhe ensinou a escrever? Lá no nordeste as artes de agulha passa assim de mãe pra filha, é de família. O senhor não teve um pai ou avô que lhe ensinou não?

_ Tive não – ele começava a pegar o sotaque dela.

_ O senhor aprendeu sozinho?

_ Com os livros, eu acho...

_ Que idade o senhor tinha quando começou a escrever?

_ Eu estava na adolescência, lia muito, tive vontade, acho que foi isso. É, foi assim que começou.

_ Eu aprendi os primeiros pontos com 7 anos; minha avó que ensinou – declarou orgulhosa. Se eu tivesse uma menina, ensinava ela também. O Senhor tem filhos?

_ Tenho um garoto de doze.

_ O senhor vai ensinar ele escrever?

_ Eu até que tento, mas por enquanto ele tá mais interessado no skate.

_Engraçado – ela ondulou a saia, meio como quem não quer nada, talvez inconscientemente – o senhor não é casado e tem filho e eu sou casada e não tenho filhos. Como é que a vida dá umas volta engraçada, né? Parece até os entremeios que a gente faz com as agulhas...

_ Se isso fosse um livro, e a senhora ficasse viúva, ia dar certinho.

_ Vixê, homi, fale isso não – ela disse sorrindo e nem um pouco ofendida – Se Zé lhe ouve, lhe mata.

_ Tava brincando.

_ Tava mesmo?

_ A senhora já ouviu dizer que às vezes a vida imita a arte?

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Era meia-noite e meia e a escrita ainda rendia. Com certeza vararia noite adentro escrevendo, tal qual máquina, pois a inspiração fluía a cântaros. Já antevia a obra pronta. Seria certamente um sucesso, poderia até virar filme! Ajudaria a elevar o cinema nacional. Sem dúvida, ao menos um especial para a TV daria. Até imaginava os atores.

Graças a ela recuperara o tempo e a inspiração perdidos. Entre um ondular e outro da brisa na cortina do quarto ela lhe falara sobre o Paço Municipal, o local dos escândalos da cidade. De amantes de vereadores passando por quebra pau entre partidos a assassinato de político, de tudo já tinha ocorrido ali. Que melhor lugar para um lustre imponente testemunhar fatos insólitos do que a Câmara Municipal ou uma repartição pública?

Haveria de colocar um agradecimento a ela nas primeiras páginas do livro. Mas não poderia colocar seu nome verdadeiro. Ela entenderia, pois ele lhe falara de mitologia grega entre um chamego e outro. E, quando ele lhe mandasse um exemplar do livro pronto, autografado, quem sabe ela leria, entre um novelo e outro, e dele se lembraria?

Grafaria apenas “Para a Ariadne da Pousada do Repouso”.

Há que se poupar o Zé.




Breve Tratado Sobre Fãs

Naquela época em que a falta de gosto impera e ainda não está bem desperta a consciência, a tão falada adolescência, comecei a me dedicar ao ofício de ser fã. Nos meus verdes treze anos, a Música dominou meus cinco sentidos. Eu a comia, a respirava e a estudava. Sei que a melhor coisa da juventude é que ela passa, mas, essa obsessão não passou. As aulas de piano sim, mas não o meu interesse pelo universo musical onde pairavam meus astros e estrelas.
Queria conhecer meus ídolos, saber tudo sobre suas vidas. Como sua carreira se iniciou, quantos casamentos e filhos tiveram... Seus gostos, seus vícios, seus signos... Todas aquelas banalidades que todo fã quer saber e que parecem tão fundamentais para se conhecer a fundo um ídolo.
Mas, sobretudo, eu queria ter, documentado, arquivado, bem guardado em pastas, gavetas e no coração todas as fotos letras e traduções que houvessem para se ter. Eu queria todos os discos, até os mais raros e difíceis de se encontrar. Aqueles que só foram lançados na Austrália e no Japão. Queria ter, também, uma vasta coleção de souvenirs: camisetas, paletas, autógrafos. Qualquer coisa que tenha estado bem mais perto “Deles” do que eu.
Hoje, passados alguns anos daquela ‘febre’ inicial, e tendo estudado profundamente a questão do ‘ser fã’, cheguei a alguns pareceres a respeito da personalidade desse espécime, que tem no século XX seu auge de proliferação, e ao elaborar uma lista com suas características acabei percebendo uma curiosa inversão de valores: apesar de endeusar seu ídolo, na verdade é o fã que possui atributos divinos, de acordo, digamos, com suas ‘características’:

O Fã é um ser Onisciente

O fã de verdade tem olhos e ouvidos bem abertos para ‘caçar’ reportagens sobre seus astros nos jornais e na televisão, afinal, qualquer notícia é uma forma de saber um pouco mais sobre “Eles”.

O Fã Virtuoso tem Revelações e experimenta o Êxtase Divino
O fã que é sério não quer casar com o ídolo. Admira seu trabalho e é como um amigo secreto: defende o objeto de sua devoção das más línguas e nunca compra fita pirata (só se for rara). Se identifica com as músicas e pensa que as letras foram feitas sob seu ponto de vista. Quando vai a um show, fica tão emocionado que nem consegue gritar. Entra em alfa e fica batendo palmas com o olhar perdido no palco.

O Fã é dotado de Amor Incondicional

O fã chato é histérico, perturba todo mundo e não tem outro assunto. Se for mulher, vai ao casamento do ídolo vestida de preto e chora como se fosse a viúva.

O Fã passa por dolorosos Martírios

A tortura de um fã é uma entrevista com crítica negativa. Dá vontade de mandar uma bomba para o jornalista que escreveu – “Como é que ele pode pensar que o gosto dele é melhor que o meu?”

O Fã desenvolve Poderes Sobrenaturais

O fã também tem muita intuição: ‘sente’ quando está tocando uma música de seus ídolos no rádio. Tem antenas nos dedos e é sintonizado em todos os canais. Sabe de cor a programação das rádios.

O Fã possui Fé inabalável

O fã sensível vê na música a presença de Deus e, nos seus astros, Seus profetas e representantes diretos.

O Fã é Onipotente

Há fãs de vários tipos, como há artistas de diversos gêneros, mas é certo que, cada artista atrai para si o fã exato. Não há equívocos neste tipo de relação. Assim como para cada planeta há um satélite correspondente, cada astro tem seu fã na medida justa a que tem direito. Às vezes, bizarros ou inconvenientes, é preciso aceitá-los e respeitá-los já que, ainda não se teve notícia de um astro sem fã.

Talvez, as razões que os levem a serem fãs sejam as mesmas que levem um artista a vencer tantos obstáculos para galgar os degraus da fama e conseguir um lugar ao sol. Talvez, o ‘ídolo’ seja aquele que, entre seus iguais, tenha conseguido expressar de melhor forma sentimentos e pensamentos que os outros membros ‘da tribo’, por timidez ou inaptidão, não conseguiram expressar, e por isso, ele é aclamado e aceito, como um ‘cacique’, por todos.
E como o show não pode parar, vamos torcer para que os ‘caciques’ continuem representando e orgulhando suas tribos, utilizando todo seu carisma ao seduzir multidões traduzindo sentimentos coletivos, expressando a voz dos que não são dotados de poesia, charme ou eloqüência, afinal quem já esteve num show ao vivo e cantou em coro com o artista em cima do palco partilhando uma mesmo emoção, sabe bem o que quer dizer a expressão: Somos todos Um.

.... MEIO...






Depois de prometer a seus pais, os bisavós de Jéssica, que voltaríamos logo, Elisa pediu-me que a levasse até o bosque.
Chegamos, ela desceu do carro e ficou olhando para tudo em silêncio. Seu silêncio era tão respeitoso que também me mantive calado e apenas observei.
O bosque era amplo, cheio de árvores variadas. Havia uma elevação de terra conduzindo à vegetação mais fechada do bosque que era ladeada de pinheiros tão próximos uns dos outros que assemelhavam-se a uma gigantesca cerca pontiaguda.
De repente percebi que Elisa corria célere subindo a elevação e logo desapareceu driblando a cerca viva de pinheiros.
Pus-me em seu encalço, mas minhas pernas estranhamente pesavam, eu mal podia sair do lugar e não conseguia distinguir por qual parte da cerca ela infiltrara-se bosque adentro. Com muito esforço abri caminho por entre os pinheiros e deparei-me com uma vegetação desordenada e aparentemente sem trilhas. Como Elisa embrenhara-se ali e onde estaria agora era algo impossível de discernir.
Gritava seu nome, mas não obtinha resposta.
Saí do cercado de pinheiros e tornei a entrar várias vezes, procurando o possível caminho que Elisa fizera, mas todos eram iguais e de difícil acesso. Mal podia ver onde pisava pois o chão era coberto de galhos e folhas secas.
“Como diabos uma mulher grávida, prestes a das à luz, fazia uma loucura dessas?”Eu repetia para mim mesmo, sem parar. Até onde minha visão alcançava não havia lugar onde um ser humano pudesse estar sem ser atravessado por galhos.
Foi então que um raio de sol incidiu sobre meus olhos, escorreguei e caí numa clareira onde o raio de sol, que me cegara há pouco, agora iluminava uma gigantesca árvore que Elisa abraçava fortemente.
Ela pareceu dar-se conta de minha presença: virou-se sorrindo e disse coisas tão difíceis de se dizer com palavras: sobre quando era criança e pensava que fosse uma fada extraviada; os problemas que trouxeram amadurecimento e obscureceram sua infância; sobre quando concluiu que uma fada jamais viveria tão transtornada e, então, quis se enraizar naquele tronco forte. Um anjo aparecera e mostrara-lhe um livro que parecia uma bíblia. Ela o teria aberto e em letras douradas estaria escrito: “Conhecereis o Amor e o Amor vos libertará”. Lembro que Elisa disse: “Logo depois disso conheci você”.
Então a árvore virou uma montanha, ou o muro de um templo muito alto, não tenho certeza. Vi uma porta e disse-lhe para irmos embora. Ela atendeu docilmente e abrimos a porta.
Não lembro se ela ou eu. Também é estranho que não consiga lembrar-me onde estava a porta, se numa casa, parede ou onde. Nem do que era feita.
Ao atravessarmos virei-me e fechei a porta; percebi então que era a porta do carro que eu batia com força. Ao meu lado, Elisa sentada calmamente. Perguntei o que aconteceu. Ela disse: “Não sei”.
Passava um pouco do meio-dia e resolvemos voltar para a casa de seus pais.
Hoje penso que deveríamos ter ficado histéricos, mas de fato, permanecemos estranhamente calmos. Posteriormente averigüei que ambos tínhamos as mesmas lembranças do episódio que na família, ficou conhecido como “A Alucinação de Elisa e Loredano”; mas ela negou-se veemente a prestar maiores esclarecimentos.
Meu próprio comportamento me parecia absurdo e ilógico na ocasião e penso que não teríamos agido daquela forma se algo tivesse realmente acontecido.
E, com o tempo, deixamos de tocar no assunto, afinal, narrativa tão pouco racional só poderia merecer o descrédito de quem a ouvisse.
Nossa filha Stella nasceu naquela noite; tão clara e luminosa como só as estrelas podem ser.
Elisa somente retornou ao bosque após a morte de Stella no parto de Jéssica, a quem criamos.
Ela pareceu feliz ao retornar e não mais a vi chorar por Stella desde então, porém minhas tentativas de saber o que fora fazer lá ou o que havia encontrado mostraram-se tão infrutíferas quanto as vezes em que tentei arrancar-lhe respostas sobre a identidade do tal anjo ou a natureza da porta que cruzamos.
Muito tempo se passou e até mesmo Elisa já se foi.
Na cama do hospital em que estive internado as via claramente, sorrindo e acenando, um convite para juntar-me a elas, Elisa, Stella e... um anjo desconhecido.
...
Jéssica chora sobre o meu corpo; sentirá saudades, eu sei.
Mas nos encontrará um dia...
A todos. No bosque.

Pipoca com Amnésia



Não haveria de ser mesmo muito diferente. Depois de tanto tempo nada mudou. E com ela não havia sido diferente.
Os anos se sucederam como tacos de borracha em câmera lenta num jogo de golfe.
Ela se sentia, depois daquela noite, diante da vida, exatamente como uma pipoca com amnésia.
Ela havia estado no fogo, no meio do caldeirão, sob pressão, não sabendo se vestia ou não o seu vestido de noiva.
Alguma coisa aconteceu, decerto.
Mas agora ela não se lembrava. Havia se aberto ou não? Exposto por inteira, se virado do avesso?
Ela era um grão de milho e não sabia como as pessoas se posicionariam quanto a isso.
Para ela o amarelo do grão representava o “externo”, a cor do sorriso com o qual ela enfrentava o mundo, quase não querendo fazer parte da luta; e quando o milho estourava era o seu interior que saía pra fora, toda a sua candura e simplicidade, naquele branco composto de cores mil. Cada uma um aspecto da sua personalidade.
O seu medo era que os outros não compreendessem e vissem no dourado que se esvaía todo o brilho que ela fingia ou podia ter dando lugar a um branco insosso que simbolizava uma alma vazia do nada.
Era dessa interpretação errada que ela tinha medo.
E era desse medo que veio a amnésia.
E agora ela não se lembrava se havia estourado ou não.

Se havia se libertado ou se escravizado perante o julgamento alheio.

A Prisão Financeira e a Prisão Psicológica

O que não percebeis é que a prisão financeira É a prisão psicológica.

A limitação de recursos cumpre a determinados fins: o aprimoramento das faculdades resilientes e o despertar da criatividade – ferramentas indispensáveis da evolução do ser. Não há outro propósito além dos acima citados que justifiquem a pobreza de um, a miséria de muitos ou o desconsolo da alma que se sente desabonada às portas da Sorte, em cuja mansão rejubilam-se e esbaldam-se os eleitos de um destino mais favorável e sorridente – e com certeza bem menos tortuoso.

Não nos deteremos aqui a explanações da Lei do Karma que regula tais disposições pois muito disto já sabeis, de todas estas coisas já conheceste. Venho hoje porém falar-vos do que separa Fartura e Opulência Material de ti, particularmente, e de outros 75% da população do planeta.

Onde o karma não mais alcança, pela determinação áurea do Pai, alcança porém A Crença que cada um carrega em seu interior de não ser merecedor; das intransponilibidades pênseis que te separam, no continente de tua mente, de uma ilha de felicidade e facilidade supostamente inalcançável; da intemporabilidade da vida material versus a superioridade do Espírito, e das contradições entre todas essas coisas que se chocam na tela mental, provocando verdadeiros curto-circuitos nas tuas ondas mentais, te tirando não somente a paz, como te aniquilando qualquer condição mais favorável de alçar vôo rumo aos teus mais recônditos sonhos e ansiados projetos.

Não é Deus que impede, mas teu conflito interior que mina tuas forças.
Não são os anjos que se negam a te auxiliar, mas tuas contradições que te proíbem o avanço.

O tempo é curto e a mensagem deve ser ligeira; não te ocupes portanto em refutar o que foi dito agarrando-se a conceitos que muito mais se baseiam em ditados populares vãos do que à sabedoria divina. Utilizes teu tempo mais produtivamente acatando e elaborando em teu interior o que te propomos a seguir. Absorve, examina e pratica que observarás a mudança, após teu interior – de onde deve começar a irradiar – ao teu redor e dos teus se espalhar:

1) A Riqueza é Luz Divina a espelhar os meios de Vida devido aos homens

2) A Riqueza é Bendita, é recurso sagrado do Pai para espalhar entre Seus filhos Cura, Benesse, Auto-Conhecimento e Direção

3) A Riqueza não é prisão – alma pequena é calabouço e escuridão – pois os meios de mudança são todos formas de Libertação

4) Sem Riqueza não há progresso – a tristeza ama a estagnação – todo instrumento da Prosperidade rompe elos de escravidão

5) Ao contrário do que acreditas, mesmo os que transgridem a Lei Eterna, da Riqueza se beneficiam em sua evolução, pois muito mais chances tem de ampliar seus horizontes quem para isto tem condição – na miséria se propagam somente dor, falta de perspectiva e obsessão


6) A Riqueza não é bênção para poucos, mas para todos que acreditam dela serem merecedores – quantos já não questionaram porque há tantos que dela se beneficiam sem bom uso algum fazer?
“Karma”, dizem, “Se não agora, no futuro!”
Nada disso vos digo, porém: apenas uma lei-instrumento, sinfonia magnética de atração, que muitos ousados sem coração aprendem a dominar antes dos mais precavidos e conscienciosos cidadãos

7) Se queres servir a Deus, quanto mais útil serás? Sejas rico ou sejas pobre, tuas intenções não se julgará, mas o tamanho do que fazes e a quantos a benesse se estenderá – valerá mais o fato ou a idéia por trás do fato?

8) A Prudência é conquista de elevação espiritual, mas a Ousadia positiva também é companhia dos que mais fazem pelo seu próximo e de todo aquele comprometido com os mecanismos de mudança consciencial


9) A Riqueza é instrumento de ação no mundo material. Estivessem vós em outro reino mais sutil, bastaria o pensamento para pôr em movimento uma realização – mas no momento não é esta a tua condição!

10) Sejas sincero contigo mesmo e não voltes a dizer: “Deus não quer” ou “Deus não me deu”. Diga antes: “Eu temo” ou “Eu não creio que mereça”, mas o fazei sabendo que são todos sinônimos de “Que outro o faça”


11) “Como então?” o dizes.
Eu te responderei:
É o fim da Lição 11 do alfabeto do Querer. Esse é um verbo tão Divino, tão bonito como Amar, pois quem Ama, Quer conforto, Quer abraço, Quer curar. Quer não ver mais sofrimento, quer ver sonho e ajudar, quer ver Vida se realizar, missão e promessa se concretizar.

Põe uma música em teu coração, aquela que a Alma canta desde a tua re-união.
Lance os olhos no porvir e a seta que perspassa teu coração, levando o bálsamo do teu desejo banhado no teu mais puro amor, ao centro do Cristo Luz do Cosmo, com todo o teu sentimento.
Não implores em teus pedidos por migalhas de favores como se te desculpasses, que o Amor não é mendigo, é Grandioso por essência.
Decreta ao Pai tua intenção, que se bendita e afinada ao teu divino ser, afinada à vontade do teu divino Pai está.
Fazei isso não em temor, mas como quem pede seu Bem-Querer em casamento, seguro da reciprocidade desse amor.
E aguarda na certeza, nenhum espaço para dúvida ou descrença.
Evitai no entanto a euforia, que desequilibra e desalinha teu meridiano de energia.

Fazei o que te proponho e mais à frente te direi como aprimorar teus planos quando os recursos já forem tantos que se mostrem bem maiores que teus maiores sonhos.


Mago do 11
03/03/09

“Ó Bela Lua Cheia”


-Consolo dos corações celtas-




Ó Pérola de aura azulada
Brilho noturno, jóia de muitas camadas
És o olho da Deusa
Cuja pupila se dilata
Em sua íris translúcida
A vigiar o sono dos mortais.
Sol da noite, ilumina!
Sensação de amor
esvazia a melancolia;
Ser por teus raios banhado é,
por si só,
Alegria!
A paixão enaltece, a dor suaviza;
Dúvida anestesia...
É teu manto de prata sobre nós...
Fantasia!
Infância secreta trazia...
Esperança,
Da fé maestria.
Doce frescor prateado,
Luar sobre a noite espelhado,
Com faíscas de estrelas pontilhado;
No meu coração inquieto
Tu cais como gotas de orvalho.
Pisca em mim as fagulhas,
Ó olhar da Rainha da Noite,
Como beijos transparentes,
Como cósmico silêncio
Pela madrugada afora,
E me faça acreditar,
Infinitamente agora, que
Crescendo, Plena e Novamente
Teu amor em mim derramarás.

Bandeirantes do Desconhecido





⊃⊂⊄
Os símbolos acima não vieram do relato de um abduzido nem foram vistos gravados na superfície de uma nave alienígena. São os símbolos de ‘contém’, ‘está contido’ e ‘não contém’ da nossa terrena (?) ciência matemática. Uma revisão nesses simples conceitos matemáticos talvez pudesse ajudar a pôr um pouco de ordem nessa caixa de Pandora que é a Ufologia atualmente.
Motivou-me a falar uma polêmica (entre tantas) – a meu ver totalmente desnecessária – que claramente agiu como uma gota d’água no parco equilíbrio entre as correntes ideológicas do meio ufológico atual. Variando entre as polaridades Negação X Hiper-aceitação, Ceticismo X Misticismo, ‘Grays’ X Mestres Ascensos, enfim, Desconfiança X Esperança, ainda estamos nos debatendo entre as dicotomias Razão X Fé, como os agentes Fox Mulder e Dana Scully no extinto seriado Arquivo X, para definir o que a Ufologia contém e o que ela não contém.
Acredito que falo como a maioria dos leitores quando digo que pouco me importa o que cada ufólogo particularmente pense ou ache a respeito do fenômeno. Estou sim muito mais preocupada que aja um local – fórum, lista de discussão, revista de natureza IMPARCIAL – onde as conjeturas de todos possam ser acessadas, partilhadas, apoiadas com interesse por uns e refutadas com respeito por outros. Enfim onde a massa pensante da ufologia hoje – composta de ufólogos e ufófilos - possa exercitar seus neurônios, pois sem isso nada nos espera além da estagnação.

O Tao da Ufologia

O próprio fato de que vertentes se criaram dentro da Ufologia à semelhança das ramificações comuns às religiões já traduz o caráter multifacetado – portanto ambíguo – dos fatos que compõem a base daquilo que chamamos Ciência Ufológica. Sendo ‘terra-de-ninguém’, muitos se arvoram seus donos, detentores da palavra final às respostas dos ‘o quês’, ‘porquês’ e ‘comos’ que assaltam todas as mentes confrontadas com os fatos e fenômenos até hoje documentados.
Em decorrência de divergentes pontos de vistas, ‘cabos de guerra ideológicos’ podem acabar levando a dissenções que enfraquecem as chances de avanço do movimento.
Como comprova o ‘aniversário’ de um ano da entrega do Manifesto da Ufologia Brasileira às mãos do presidente da república, tanto já se sabe mas tão pouco se avança, em termos práticos, na ufologia. Nesse momento em que a união se faz necessária na busca de meios mais efetivos de pesquisa, não podemos nos dar ao luxo de enveredar por disputas partidárias e inimizades pessoais. Caso contrário, a exemplo de Brasília, dia chegará em que teremos o PUFO (Partido da Ufologia) contra o POVNI (Partido da Pesquisa dos Objetos Voadores não-Identificados) disputando no Congresso Nacional o maior número de votos de credibilidade perante as consciências humanas. A experiência política brasileira leva a crer que veremos então surgir a ‘CPI da Fraternidade Branca’, os ‘escândalos terminados em pizza’ das ‘Conspirações Governamentais’ para o encobertamento de provas, quiçá até a ‘dancinha dos homens-de-preto’ em comemoração à não-cassação de um dos seus.
O chamado ‘caminho do meio’ não é o caminho dos indecisos nem tampouco da utopia harmônica. É o caminho da reserva, da análise imparcial que faculta, na impossibilidade de se obterem respostas definitivas, a chance de não incorrer em julgamentos precipitados que, além de resultarem em conclusões equivocadas, têm a infelicidade de por vezes dar origem a ‘escolas de pensamento’. A partir daí o erro se cristaliza, ganha adeptos e seu esclarecimento torna-se muito mais difícil.

As Fobias Ufológicas

O procedimento cauteloso que a ufologia, como qualquer ciência, deve ter evidencia-se ao constatarmos o caos em que a humanidade vive: sem falar do flagelo de pragas e doenças, basta nos atermos à escravidão do sistema – à qual o homem, a fim de sobreviver, submete-se, e dentro da qual nasce, cresce, reproduz-se e morre, à semelhança de gado, sem maiores questionamentos filosóficos.
A angústia dessa aparente ausência de sentido para a sua existência, leva a alienação com o uso de drogas, ao consumismo fugaz dos dias. A dor humana se traduz, especialmente hoje, em violência urbana, na busca inconsciente da cessação pela auto-destruição. Por isso o messianismo, fenômeno tão perigoso e desagradável na visão de qualquer mente racional, é absolutamente previsível numa humanidade que acalenta o desejo de ser salva de si mesma e sonha com o dia em que verá uma ‘justiça divina’ manifestar- se através de seres mais poderosos.
No entanto, se por um lado talvez fosse mais fácil pesquisar a ufologia sem a problemática que advém sempre que se incorre em questões de ordem religiosa, por outro lado não podemos ignorar que o apelo de uma ‘ética cósmica’ vem bem a calhar numa época em que ONGs proliferam a fim de promover a implantação de valores mais justos nas sociedades.
A ufologia é, muitas vezes, vista com fascinação mórbida ou como última porta de salvação. Seja um governo que vise avanços tecnológicos ou uma fé que adquire contornos intergalácticos, os temores apocalípticos que a palavra ufologia evoca produzem sentimentos de incerteza que levam à busca de auto-preservação e auto-perpetuação. Até mesmo os ufólogos, archotes dessa mudança, não estão livres de tais mecanismos de defesa quanto a seus próprios sistemas de valores, como vemos ao tentarem adequar a casuística ufológica dentro de parâmetros por eles mesmos definidos.

Jornadas na Incerteza

O que se pode afirmar com certeza é que a ufologia, prove lá o que quer que seja, vai abalar o conhecimento estabelecido e, como toda mudança que não pode ser evitada, será protelada ao máximo.
Essa nova aurora que desponta no horizonte desafia nossa compreensão e obviamente interferirá na evolução humana, cabendo ao ufólogo, hoje desacreditado bandeirante do desconhecido, a abertura de caminhos que possibilitarão chegar a uma verdade mais abrangente. Nessas ‘Caçadas do Improvável’, o caçador que volta para casa sem sequer ter visto sinal da caça na maioria das vezes, será também o responsável por traduzir suas descobertas para uma linguagem capaz de ser compreendida por uma massa humana mais quantitativa.
Já tendo sobre seus ombros tantas responsabilidades, não é papel do ufólogo definir o que ‘contém’ ou ‘não contém’ a ufologia, mas sim buscar dados, correlacioná-los e expôr o resultado de sua pesquisa ao maior número possível de pessoas. Não a fim de convencê-las, mas de provocá-las, de instigar suas inteligências, suscitar dúvidas quanto aos seus ‘saberes’, incomodá-las no sossego de suas mentes adormecidas. Revela-se aí a importância do ufólogo como aquele que compila, analisa e classifica os dados, o que originará por certo teorias.Em última instância o ufólogo é agente de descobrimentos das respostas que a ufologia contém, e dentro da qual nossa realidade e nós mesmos estamos contidos. E não o contrário.




artigo publicado na Revista UFO

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

FALSIDADE ASTROLÓGICA


Não caia na malha dos falsos horóscopos






Horóscopo das Flores, das Árvores, dos Ciganos, dos Animais, dos Símbolos Xamânicos, das Runas, Egípcio, etc, etc, etc ad infinitum.
Você fica entusiasmado e faz coleção de todos esses ‘horóscopos diferentes’ que encontra em revistas ou na Internet – quando não os recebe por e-mail? Às vezes eles são graciosamente ilustrados, o texto parece adaptar-se perfeitamente a você, no entanto esses horóscopos só têm uma utilidade: encher lingüiça.
Eles ‘chovem no molhado’ repetindo exatamente as mesmas características básicas dos signos do horóscopo tradicional, assim não cometem furos. A única diferença entre esses supostos horóscopos é o nome com o qual “batizam” cada um dos signos; por exemplo: capricórnio vira azaléia, que vira a runa feoh, que vira a deusa Nut no horóscopo egípcio, que vira moeda na terminologia cigana, que vira coruja … de acordo com a ‘denominologia’ adotada pelo ‘horoscopeiro’ de plantão que não tem mais nada a fazer a não ser entreter os incautos.

Como identificar um lixo astrológico:

É simples, requer apenas um pouco de memória. Basta ter em mente que a data de transição de um signo para outro se dá por volta do dia 20 de cada mês, portanto, ao se deparar com um “novo horóscopo”, ignore os nomes bonitinhos ou imponentes com os quais os signos foram chamados/mascarados nessa ‘versão paraguaia’ e olhe diretamente para as datas de abrangência de cada signo: qualquer período oscilando entre os dias 19 e 23, feche o arquivo (ou a revista).
Os ‘usuários mais avançados’, habituados aos termos usuais da Astrologia, podem observar que as características corresponderão aos signos tradicionais normalmente associados às datas assinaladas: o ‘signo impostor’ que corresponderia a Áries, por exemplo, será classificado como ‘impulsivo’; o correspondente a Gêmeos, como ’signo da comunicação’; as datas compreendidas entre julho e agosto – que corresponde à vigência de Leão – pertencerá ao indivíduo que ‘brilhará como um sol’ ; o que ocupa o lugar do virginiano será racional; o que corresponde ao libriano, romântico e sociável; os equivalentes aos piscianos, sensíveis e místicos… e assim por diante.

É importante assinalar que existem, sim, outros horóscopos válidos, como o chinês, o japonês, um celta, outro baseado na cultura andina… cujas características originam-se da visão cosmogônica do povo em questão. Uma maneira mais fácil de identificá-los é a mesma usada para desmascarar os horóscopos charlatães: a data e/ou a quantidade de signos . A Astrologia Japonesa, por exemplo, divide-se em 9 signos classificados de acordo com o chi – energia vital – da pessoa; de acordo com essa astrologia, denominada também Astrologia das 9 Estrelas, existem 9 tipos de chi, por conseguinte 9 tipos básicos de personalidade. Na Astrologia Chinesa os signos também são em número de 12, porém o período de abrangência entre os signos não é mensal, como na Astrologia Ocidental, e sim anual. As datas utilizadas para classificar e dividir os signos, portanto, são indícios eficazes para se verificar a veracidade e validade de um horóscopo.

A Marca da Verdade

É interessante notar que os horóscopos verdadeiros, mesmo tendo datas e estilos de classificação totalmente diversos, funcionam e nunca se contradizem – quando analisados os mapas em sua totalidade – podendo, no entanto, ocorrer que um determinado indivíduo se identifique mais com um ou outro modelo de astrologia (chinesa, tradicional, etc).
Esse fenônemo, que podemos chamar ‘A Maravilha da Multiplicidade das Faces da Verdade’, já é suficientemente rico em detalhes para que possamos, sem pensar duas vezes, dispensar os horóscopos ‘da Luluzinha’, ‘do lual havaiano’, ‘das folhas sagradas dos antigos índios mairicorés’, ‘dos cristais encantados’
Seja um bruxo/mago/buscador consciente: diga Não às drogas fugindo do lixo astrológico.

ASTROLOGIA E ORIENTAÇÃO VOCACIONAL

ASTROLOGIA E ORIENTAÇÃO VOCACIONAL


Pode a Astrologia ajudar os jovens a decidirem qual profissão seguir, ou mesmo auxiliar os indecisos a descobrirem uma vocação?



“Eu preferiria que Summerhill produzisse um limpador de ruas feliz do que um primeiro-ministro neurótico.”
AS Neill, fundador do colégio inglês Summerhill
cujos métodos de ensino são considerados polêmicos e revolucionários

O Poder de uma Escolha

Todos os anos, milhões de jovens em todo o planeta experimentam a aflitiva inquietação de ter de escolher a profissão com a qual, em tese, deverão ser capazes de sustentarem a si próprios – e posteriormente às suas famílias – e ocupar digna e competentemente seu lugar na sociedade.
A angústia dessa (in)decisão – e uma eventual escolha apressada ou equivocada – acaba por levar muitos à antítese desse ideal de realização pessoal e benefício à coletividade: após um período que pode variar de 3 a 8 anos, o jovem passa a “representar” seu papel na sociedade.
Representar mesmo, como um ator, comparecendo todos os dias ao “palco” do seu ambiente de trabalho onde repetirá, pela milionésima vez, as falas que já decorou desde antes do término da faculdade, durante os períodos de estágio: “Pois não, em que posso ajudá-lo?”, “A senhora gostaria de ver algum outro modelo?”, “Permita-me explicar as vantagens do nosso sistema...”, “Aonde dói?”... Frases ditas num tom monocromático, faladas por um ser apático que mais parece um zumbi acionado à distância por controle remoto. Quando não há nenhum cliente em potencial por perto, então ele começa a sonhar com o que faria da vida se ganhasse na loteria e não precisasse mais trabalhar...
Muitos julgam que os baixos salários causam a desmotivação, mas se fosse somente por isso não existiria máfia, corrupção e atendimento ruim em países ricos, e todos sabemos que isso não é exclusividade do 3º mundo. Uma pessoa que AMA o que faz, o faz bem feito, se preocupa com o que os outros pensam a respeito do seu desempenho, está sempre procurando aperfeiçoá-lo e, ainda que ganhasse na loteria, continuaria fazendo o mesmo trabalho, pois a necessidade financeira não é a única coisa que a move. Se assim não fosse, não existiriam bons professores em escolas pública – melhor dizendo, não existiriam bons professores em lugar algum.

Realidade ou Fraude

A esta altura torna-se bastante claro que a escolha acertada da profissão é um fator decisivo para a felicidade do ser humano. Como alternativa e/ou complemento dos testes de orientação vocacional padrões, existe a Astrologia Vocacional – a meu ver a aplicação mais efetiva, inspiradora e honrosa da Astrologia, no sentido de auxiliar uma humanidade cada vez mais perdida em si mesma a (re)definir metas, caminhos e objetivos.
Para a Astrologia as pessoas não são iguais. Talvez por isso, numa época em que a palavra de ordem é democracia, ela seja tão combatida, mesmo oferecendo explicações muito mais abrangentes do que a Ciência e a Psicologia, sempre lacônicas e falhas quando se trata de explicar o comportamento humano na sua totalidade e variedade de nuances. E embora ambas a repudiem, a Astrologia tem se servido tanto de uma de uma quanto da outra, para comprovar suas teses.
A Astrologia não vai contra a Ciência, muito embora não possa ser totalmente explicada por ela, pois metade da Astrologia é cálculo, geometria – cujos métodos muitas vezes a Astronomia e a Física discordam – e metade é analogia simbólica, baseada numa sabedoria tão ou mais antiga do que o homem, que se utiliza da Mitologia para ser melhor compreendida. O bom astrólogo precisa ser, portanto, meio cientista e meio psicólogo, bastante sério e um tanto louco, pois a compreensão da intrincada dança dos astros “fotografada” no momento do nascimento de alguém – o que um mapa astral é – requer uma boa dose de ousadia e poesia, além de conhecimento teórico e prático, para ser interpretada. Há divergências entre os próprios astrólogos quanto a classificá-la como Ciência ou como Arte.

Mitos e Verdades sobre a Astrologia

Primeiro é preciso distinguir a astrologia das massas da Astrologia verdadeira. O horóscopo de jornais e da maioria das revistas que seduz multidões, principalmente entre adolescentes, é um péssimo garoto-propaganda que, infelizmente, acaba por se tornar a referência na cabeça das pessoas e do que elas entendem como sendo Astrologia (você achou mesmo que era a isso que Newton, Kepler e Galileu se dedicaram? Pode imagine Copérnico procurando nos céus, com um telescópio, a constelação X, para saber como seria seu horóscopo naquele dia?). Copérnico, que redescobriu a teoria do heliocentrismo, Tycho Brahe (médico, astrônomo e estudioso de ótica em Copenhague), astrólogo do rei da Hungria, Galileu, Kepler e Newton, o matemático, entre muitos outros cientistas de renome, dedicaram-se à Astrologia. Sobre este último, reza a lenda que teria respondido a Halley (o descobridor do cometa que leva seu nome), então seu professor, que criticava-o severamente por “perder tempo com essas bobagens e crendices”:
- “Eu a estudei, o senhor não”.
Os motivos pelos quais a vulgarização da Astrologia ocorre são os mesmos que levam sites a venderem mapas astrais por R$ 19,90 (até o preço lembra os das lojas de R$ 1,99 !): puramente comerciais. É ridículo sequer imaginar que a humanidade possa ser dividida em 12 tipos de personalidades (os 12 signos do zodíaco). Qualquer um conhece alguém do seu próprio signo com quem não tem afinidade alguma. O mínimo de informações necessárias para se poder falar algo, ainda muito por cima, sobre a personalidade de alguém, requer as posições do Sol, Lua e Ascendente (o signo onde o Sol estava no horário do nascimento do indivíduo) em suas respectivas casas ou domicílios. Faça as contas para ter uma idéia do número de variáveis possíveis: {[12 x (12x12)] x [12 x (12x12)] x [12 x (12x12)]}e obteremos....... 5 159 780 352!
Para uma análise mais completa levam-se em conta 10 planetas, 4 asteróides, 12 signos e 12 casas (posições que os signos e planetas podem ocupar), isso sem falar nas conjunções, quadraturas, oposições... enfim, aspectos que os planetas formam entre si que possuem forte influência na vida de uma pessoa. Faça as contas novamente para ver o número de possibilidades combinatórias.
Em tempo: mesmo que duas pessoas tenham as mesmas “coordenadas astrais”, de modo algum isso significa que suas vidas sejam idênticas. Um caso clássico do que chamamos em Astrologia de “gêmeos astrais” seria o do rei George III da Inglaterra e do filho de um vendedor de ferro velho, ambos nascidos às 07h30 do dia 04 de junho de 1738, em Londres. No dia em que George III foi coroado, seu gêmeo astral assumiu sua loja como patrão; casaram-se no mesmo mês; ambos eram jogadores: um no Derby e outro nas corridas de cães; no dia em que o rei levou um coice de seu cavalo puro-sangue, o ferreiro levou de seu burro; tiveram o mesmo número de filhos – que nasceram mais ou menos na mesma época – e morreram no mesmo dia.


Assim Acima como Abaixo

Esse axioma esotérico traduz a essência da Astrologia: a posição aparente dos astros nos céus tem correspondência com o que acontece na Terra e na vida dos seres expostos às energias acionadas por aquele determinado posicionamento. Interpretar as implicações dessas relações e traduzi-las para uma linguagem compreensível ao leigo é o que faz ao astrólogo.
Agora responda sinceramente: quanto tempo leva para se analisar cuidadosamente todos esses fatores? Quanto pode custar um serviço como esse? Tal meticulosidade de detalhes e seu valor está adequada à rapidez e preço de mercado exigidos pelo comércio via internet dos tempos atuais? A internet não quer saber quem você é, apenas quanto pode pagar. Cyber-astrólogos não têm tempo a perder com demoradas análises e sutilezas individuais; eles têm programas prontos para enviar para todos os que nasceram dentro de uma mesma margem razoável de erro: textos idênticos para pessoas parecidas, escritos de forma que não possam ser escandalosamente refutados... Numa linha você lerá que é extrovertido e exibicionista, às vezes; uma outra linha o descreverá como tímido e tendendo à reclusão (!?)
Existem ainda análises voltadas apenas à orientação vocacional ou aos aspectos emocionais de uma pessoa, ou ainda uma sinastria, a comparação entre dois mapas para averiguar compatibilidades num possível relacionamento pessoal ou para uma sociedade profissional, por exemplo.

Astrologia de verdade lhe dirá QUEM você é, O QUE pode fazer melhor, EM QUAIS ÁREAS e DE QUAL FORMA poderá ter sucesso. O QUE NÃO DEVE SER FEITO e qual tipo de comportamento DEVE SER EVITADO a fim de que você alcance sua melhor performance e mantenha suas fraquezas e dificuldades sob controle. Astrologia Vocacional identifica perfis de aptidão mais do que ramos de atividades (quem já não leu que “os nascidos sob o signo de Leão dão ótimos atores” e que “os librianos podem ser advogados ou diplomatas”? Quantos diplomatas você conhece? E quantos librianos?)
Os ramos de atividades que podem estar apontados nos mapas devem estar ligados às habilidades pessoais como liderança e comunicabilidade, por exemplo.
Ponha uma empresa – aquela que a família levou anos para tornar sólida no mercado – nas mãos do filho sensível ou “descolado”, de tendências artísticas e cujo mapa astral apresenta carência de signos cardinais (responsáveis pelas características de liderança de uma pessoa), e ele levará a empresa para o buraco. E nem será culpa dele, que simplesmente não nasceu pra isso. Mas ele poderia ser um esportista, ou pesquisador, um auditor quem sabe, ou até um cantor; se não um profissional de sucesso, pelo menos uma pessoa feliz – e que não leve os outros à falência! O fato é que a ausência de cardinais num mapa exclui qualquer possibilidade de uma pessoa se dar bem num cargo de administração, pois ela não nasceu para dizer aos outros o que devem fazer.
A propósito, Astrologia verdadeira lhe dirá que você será FELIZ se for quem você é da melhor maneira que o possa ser. Da mesma forma que um girassol é maravilhoso em si mesmo, mas jamais será uma rosa, que um cacto não se desenvolve num pântano, nem tampouco no deserto prospera a vitória -régia.
Qual o objetivo, então, da Astrologia Vocacional?
A Astrologia Vocacional pretende que, ao adentrar num local de trabalho, você seja recepcionado por alguém que lhe diga: : “Pois não, em que posso ajudá-lo?”, “A senhora gostaria de ver algum outro modelo?”, “Permita-me explicar as vantagens do nosso sistema...”, “Aonde dói?”...
Mas que diga isso com brilho nos olhos, um sorriso espontâneo no rosto e uma certeza interior de que não desejaria estar em nenhum outro lugar, fazendo nenhuma outra coisa.

domingo, 16 de agosto de 2009

Champagne





Champagne


Num tempo em que
Tão poucas coisas belas são vistas
A sua presença entorpece o meu presente
E eu sinto um perfume de champagne no ar.

De um tempo em que tão poucas lembranças ficaram
A sua imagem ficou
Permaneceu na cor champagne da areia que escorre na ampulheta
que conta os dias que nunca existiram.

Talvez no futuro
O seu rosto desapareça da minha memória
Mas algo seu vai ficar
Uma sensação champagne
Que o tempo não vai apagar

Seus cabelos,
Seus olhos,
Sua pele,
Seus beijos cordiais
Vão estar no gosto de todos os champagnes
Que eu vier a provar.